Cloe,
Seguimos para uma mesa mais afastada, me sento primeiro e ela logo me seguida.
— Porque você bateu na Isabel?
— Eu não bati em ninguém, apenas nos caras que pedem para apanhar. Você não imagina os tipos de homens que vem aqui com os seus fetiches.
— Não estou falando disso, você sabem bem do que eu estou falando. — Ela nega com a cabeça dando de ombro, como se não entendesse o que eu estou falando. — Por favor, me conta a verdade.
— Eu não sei o que a senhora quer que eu diga. A minha caminhada da vida é daqui para a minha casa, e de casa para cá. As vezes desvio o caminho para o mercado ou açougue, mas eu não sou uma mulher que bate em outra, apenas me defendo se vier para cima de mim.
— Ele te pagou bem para ficar calada, não é isso? Mas vou te falar uma coisa. Vai até a clínica psiquiatra Santa Maria, e você verá o que fez com aquela mulher. Ela deveria pagar pelas injustiça que fez, mas o estado dela eu não desejo para ninguém.
— Não fui eu, isso posso garantir. — Abaixo a minha cabeça, e nego. Que merda eu estou fazendo aqui? Passo a mão em meus cabelos, e voltou a olhar para ela.
— Eu pago o dobro que ele te pagou para falar a verdade.
— Estou falando a verdade. Você deveria confiar mais no Augusto do que nas outras pessoas. Eu era a única garota de programa que ele contratava, e isso nem era sempre, era mais quando ele estava... Digamos, revoltado com alguma coisa. Mas já tem mais de um ano e meio que ele não vem aqui.
— Ele veio a uns meses atrás esfriar a cabeça, disse que só bebeu. Você não viu?
— Só se ele veio no meu dia de folga, que é na quinta feira. Mas nem fiquei sabendo. — Abaixo a minha cabe e mexo nos meus dedos. Estava tão bem, porque fui naquela clínica? Porque fui falar com a tia da Isabel?
— Cloe? — Ouço a voz dele e olho para a porta. A prostituta olha também e se levanta assim que ele se aproxima. — O que você está fazendo aqui? — Ele olha para ela como se devesse algo e depois volta a me olhar.
Não Respondo nada, apenas me levanto e sigo para a porta de saída. Vou caminhando pela calçada, e o carro dele para bem do meu lado.
— O que aconteceu, entra no carro, vamos conversar.
— Você mentiu para mim, Augusto. — digo sem olhar para ele, mas paro de andar. — Você mandou aquela mulher bater na Isabel, não foi?
— Claro que não? Ela inventou essa história para você, foi? — Sua voz sai trêmula, típico de uma mentira. — Se você não entrar no carro, eu vou aí te pegar no colo e te jogar aqui dentro.
— Não tem graça, Augusto, estou falando sério e você fica com gracinhas. — Ele abre a porta doo carro e desce, vindo em minha direção.
— Você está sendo enganada, e o pior, está jogando a bomba em cima de mim. Vamos para casa conversar, pois você está tendo idéias erradas sobre mim. — Ele estende a mão para mim, seguro nela e ele me conduz até a porta do banco do passageiro.
Ele fecha a porta e da a volta, sentando no banco do motorista. Seguimos para a casa, o cominho todo silencioso, mesmo eu tendo mil perguntas para fazer para ele, me calo, pois sei que ele vai continuar negando. Assim que chegamos na fazenda, nenhum de nós dois descemos do carro. Carlinhos chega logo em seguida, e segue para o estábulo.
— Eu não sei o que aquela prostituta falou para você, mas pela sua cara, e pelo que me cobrou lá, é algo relacionado a Isabel. Eu pensei que já tinha resolvido isso, que você tinha acreditado que eu não tinha feito nada com ela.
— A prostituta não falou nada, estava negando igual a você está agora. Mas sabe a única palavra que sai da Joca da Isabel naquela psiquiatria? — Ele dá de ombro. — O seu nome. Durante esses meses, ela começou a falar algumas coisas e a tia dela juntou tudo para descobri. E descobriu que a prostituta foi paga para bater nela. Só que a Isabel não tinha nenhuma rixa com ninguém, a não ser com nós dois. A prostituta está te defendendo pelos tempos que você só escolhia ela.
— Você não está falando nada com nada. Não vê que está tudo errado?
— Sim, eu vejo que está tudo errado mesmo, as suas desculpas e daquela mulher. Porque não me fala a verdade, acha que eu vou te denunciar para a polícia? Você me acolheu aqui, me protegeu, me ajudou e me mostrou que o amor existe de uma forma diferente. Eu não vou te denunciar, só quero saber da verdade.
Ele fica calado me encarando, sem desculpas e sem mentiras, apenas um olhar de culpa. Sua boca abre algumas vezes para falar, mas não emite nenhum som. Augusto olha pars frente em silêncio, ele realmente não vai me falar a verdade.
— Foi você, não foi? — Ele não responde, continua paralisado olhamos para frente. — FALA AUGUSTO!
— FOI! ESTA SATISFEITA AGORA POR SABER DA VERDADE? — Ele grita irritado olhando para mim.
— Satisfeita não. Decepcionada. — Abro a porta do carro e desço. Ele não confiou em mim, ficou mentindo todos esses meses. Sigo direto para o quarto, fecho a porta e começo a respirar rápido. Sinto uma pontada forte no pé da minha barriga, coloco a mão em cima e me debruço um pouco.
— Calma, meu amorzinho, ainda não está na hora de você nascer, desculpa pelo estresse, vou me acalmar por você, erra bem? — Outra pontada mais aguda, então, caminho até a cama e me sento. A porta se abre e o Augusto entra.
— Sabe o que ela pretendia fazer? Ela ia pagar para a Yasmin me drogar, me levar para uma cama e tirar foto de nós dois, para mandar para você. Ela mereceu cada pancada que levou... Você está bem? — Ele se aproxima de mim e se agacha na minha frente. — Não vamos mais discutir, ainda não está na hora dele nascer, certo?
Posso Ficar?
Capítulo 88
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Cristiane Freitas
Ela n confiou em ele, mas a bonita acha no direito de ficar com raiva 😡😡😡
2026-05-28
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Sandra Santos
autora esses capítulos tão muito curto.essa obra e muito boa maís quando agente acha que vai fica maís animada vc corta kkkkkk
2026-05-27
1
XandeLili Cáffaro
Sinceramente não concordo com Cloe em procurar o culpado,aff chatice. 😕
2026-05-27
2