A mulher ruiva continuou encarando as flores.
Por alguns instantes, ela não disse nada.
A pequena flor que antes estava quase tombando agora permanecia firme, balançando suavemente com o vento.
E então ela se lembrou dele.
Lembrou-se de como ele costumava sorrir enquanto cuidava daquele jardim.
Lembrou-se de como segurava cada planta com cuidado, de como verificava se alguma delas precisava de água e de como ficava feliz quando uma nova flor nascia.
Ela conseguiu quase ouvir sua voz.
Quase conseguiu vê-lo ali novamente.
A mulher levou uma das mãos até o peito.
Uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
Mas dessa vez ela sorriu.
Era um sorriso pequeno.
Triste.
Mas verdadeiro.
— Você realmente gostava deste lugar...
Ela sussurrou.
Então virou o rosto para o garoto que estava sentado ao seu lado.
— Obrigada...
Mas não havia ninguém ali.
A mulher arregalou os olhos.
— Hã?
Ela olhou para o outro lado do banco.
Nada.
Olhou para trás.
Nada.
— Garoto?
Ela se levantou rapidamente.
— Onde você está?
O pequeno Theo havia desaparecido.
No lugar onde ele estava sentado, restava apenas um pequeno brilho vermelho.
O brilho flutuou por alguns segundos sobre o banco.
Depois se transformou em pequenas partículas luminosas que desapareceram no ar.
A mulher ficou parada, completamente confusa.
Ela nem sequer sabia o nome daquele garoto.
Não sabia de onde ele tinha vindo.
Não sabia como havia entrado naquele jardim.
E agora...
Ele simplesmente havia desaparecido.
— Quem era você...?
Ela olhou ao redor.
A chuva começava a diminuir.
As gotas que antes caíam com força agora eram poucas e suaves.
O jardim estava silencioso novamente.
Mas alguma coisa havia mudado.
Aquele silêncio já não parecia tão pesado.
A mulher olhou para as flores.
Depois sorriu novamente.
Enquanto isso...
Muito acima daquele jardim, Theo estava novamente no céu.
O velho guarda-chuva vermelho o levava para longe.
Seus pequenos pés estavam suspensos no ar enquanto ele segurava firmemente o cabo.
O vento passava por seus cabelos.
Theo olhou para trás.
Lá embaixo, o enorme jardim estava ficando cada vez menor.
A mulher ruiva ainda estava procurando por ele.
Ela caminhava pelo jardim, olhando para todos os lados.
— Garoto!
Theo ouviu sua voz mesmo de longe.
Mas não sabia o que responder.
Ele sequer sabia se conseguiria voltar.
Então apenas continuou olhando.
Até que o jardim desapareceu atrás das nuvens.
Theo virou o rosto para frente.
O guarda-chuva continuava brilhando.
Pequenas luzes vermelhas e douradas flutuavam ao seu redor.
As nuvens passavam lentamente por ele.
Mas havia algo diferente no céu.
As cores pareciam mais bonitas do que antes.
O azul do céu parecia ter vários tons.
As nuvens tinham reflexos dourados e rosados.
Até mesmo a luz que atravessava as nuvens parecia diferente.
Theo ficou olhando encantado.
— É bonito...
Ele murmurou.
O guarda-chuva continuou levando-o pelo céu.
Theo não sabia para onde estava indo.
Só sabia que, sempre que aquele guarda-chuva o levava para algum lugar, havia alguém que precisava ser ouvido.
Depois de algum tempo, o guarda-chuva começou a diminuir a velocidade.
Theo sentiu seu corpo descer.
— Estamos descendo?
O guarda-chuva começou a flutuar para baixo.
As nuvens ficaram acima dele.
A chuva também começou a diminuir.
Theo conseguiu enxergar árvores novamente.
Depois algumas casas.
O chão estava cada vez mais perto.
Até que...
Toc.
Os pequenos pés de Theo tocaram o chão.
Ele olhou para baixo.
Estava de volta a sua casa.
O guarda-chuva vermelho ainda estava aberto sobre sua cabeça.
Mas o brilho começou a desaparecer.
Primeiro as pequenas luzes vermelhas.
Depois as douradas.
Até que o velho guarda-chuva voltou a parecer completamente comum.
Theo olhou para ele.
— Você vai me levar para outro lugar?
O guarda-chuva não respondeu.
Apenas balançou suavemente com o vento.
A chuva foi diminuindo aos poucos.
Uma gota caiu sobre o guarda-chuva.
Depois outra.
E então...
nada.
A chuva havia parado.
Theo fechou lentamente o guarda-chuva.
Ele olhou ao redor.
Estava no quintal da sua casa.
Mais uma vez, Theo olhou para o guarda chuva.
E, em então a voz de sua mãe chamado por Theo da porta dizendo que já está tarde Theo apenas entrou dentro de casa e colocou o guarda chuva em seu quarto.