CAPÍTULO 1 — VOLTA AO INÍCIO
Emmi era uma garota de 14 anos, muito divertida e alegre. Ela adorava doces, conhecer pessoas novas e fazer amigos. Para ela, quase qualquer situação poderia se transformar em uma oportunidade para se divertir.
Emmi tinha cabelos curtos e verdes, que combinavam perfeitamente com seus olhos amarelos. Ela usava um vestido rosa com pequenos detalhes verdes e uma sapatilha preta decorada com desenhos de folhas.
Ela também tinha duas melhores amigas.
Hilda e Rita.
Rita era amiga de Emmi desde que as duas eram pequenas. Elas praticamente cresceram juntas e conheciam muito bem uma à outra.
Já Hilda havia se tornado amiga de Emmi no ano anterior. Apesar de se conhecerem há menos tempo, as duas se davam muito bem, e Hilda rapidamente passou a fazer parte do pequeno grupo.
Emmi gostava de pensar que tinha seu futuro planejado.
Ela queria se tornar confeiteira.
Desde pequena, era apaixonada por doces. Gostava de experimentar receitas novas, decorar bolos, fazer biscoitos e, principalmente...
Comer os próprios doces.
— Acho que vou abrir uma confeitaria quando crescer! — Emmi dizia sempre para suas amigas.
— Você fala isso toda vez que faz um bolo — Rita respondia, rindo.
— Porque eu tenho certeza!
Hilda ria também.
— Então já sabemos onde vamos comer doces de graça quando você ficar famosa.
— Claro! Vocês serão minhas primeiras clientes!
As três riam juntas.
E o tempo passou.
Os anos passaram tão rápido que Emmi mal percebeu.
Até que, finalmente, seu sonho se tornou realidade.
Emmi já era adulta e tinha conseguido abrir sua própria confeitaria.
Era uma pequena loja aconchegante, cheia de cores, doces e bolos cuidadosamente decorados. Havia cupcakes nas vitrines, biscoitos em potes de vidro e vários tipos de tortas.
No centro da loja havia uma placa com o nome da confeitaria.
Emmi ficou parada diante dela durante alguns segundos, sorrindo.
— Eu consegui...
Ela realmente tinha conseguido.
Naquele dia, Emmi estava especialmente feliz.
Afinal, queria comemorar aquele momento com as duas pessoas que estiveram ao seu lado durante tantos anos.
Ela pegou o celular e ligou para Hilda.
— Hilda! Venha para a confeitaria! Eu quero comemorar com vocês!
Depois ligou para Rita e fez o mesmo convite.
As duas confirmaram que iriam.
Emmi ficou muito animada.
— Então está combinado!
Chegou o horário marcado.
Emmi estava dentro da confeitaria, esperando pelas amigas.
Ela havia preparado uma bandeja cheia de doces.
Cupcakes, biscoitos, pequenos pedaços de bolo e outras guloseimas estavam organizados cuidadosamente.
Emmi olhou para a bandeja e sorriu.
— Elas vão adorar.
Só faltava uma coisa.
O bolo principal.
Ele ainda estava na cozinha.
— Ah, o bolo!
Emmi se virou para ir buscá-lo.
Foi quando ouviu o som da porta da confeitaria se abrindo.
Ding!
Emmi parou.
— Hilda? Rita?
Ela começou a se virar.
Mas não conseguiu terminar.
De repente, sentiu uma dor forte atravessar seu corpo.
Uma faca havia sido cravada nela.
— Ah...
Emmi arregalou os olhos.
Ela não conseguia entender o que estava acontecendo.
Seu corpo cambaleou para trás.
— P-por quê...?
Ela caiu no chão.
Aos poucos, sentiu suas forças desaparecerem.
O sangue começou a se espalhar por sua roupa e pelo chão da confeitaria.
Emmi tentou respirar, mas parecia que o ar havia desaparecido.
Ela levantou os olhos para olhar para a pessoa que estava diante dela.
Mas sua visão estava ficando cada vez mais turva.
Ela não conseguia enxergar o rosto.
A pessoa estava completamente coberta.
Emmi não conseguia ver a pele.
Não conseguia ver os cabelos.
Não conseguia identificar absolutamente nada.
— Quem...?
Sua voz saiu fraca.
— Por quê...?
Nenhuma resposta.
A pessoa continuou parada diante dela.
Emmi sentiu suas pálpebras ficarem pesadas.
Seu corpo já não respondia.
— Eu... não quero...
Seus olhos começaram a se fechar.
Mas, antes que sua visão desaparecesse completamente, alguma coisa surgiu diante dela.
Uma tela.
Era como uma tela flutuante, brilhando no meio da escuridão.
Nela havia apenas uma frase:
[VOLTA AO INÍCIO]
Emmi arregalou os olhos.
— O quê...?
Ela não conseguiu entender.
Sua visão escureceu completamente.
Então...
Alguns segundos depois...
Emmi abriu os olhos rapidamente.
— Hã?!
Ela se sentou na cama, ofegante.
Seu coração batia extremamente rápido.
Emmi levou as mãos ao próprio corpo.
Não havia sangue.
Não havia ferimento.
Não havia dor.
Ela olhou ao redor.
Estava em seu quarto.
Seu antigo quarto.
Emmi olhou para as próprias mãos e depois para seu corpo.
Ela estava novamente com 14 anos.
— Não...
Ela levantou rapidamente da cama.
— Não, não, não...
Emmi correu até o espelho.
Seu cabelo estava curto e verde.
Seus olhos eram amarelos.
Ela estava usando suas roupas de adolescente.
— Eu...
Ela ficou alguns segundos encarando o próprio reflexo.
— Eu voltei?
Antes que pudesse pensar melhor, a mesma tela apareceu diante dela.
Emmi deu um passo para trás, assustada.
[1ª ROTA COMPLETA]
— Rota...?
Ela se aproximou lentamente da tela.
— O que isso significa?
A tela permaneceu imóvel.
Emmi tocou nela.
Nada aconteceu.
Ela passou horas tentando entender aquilo.
Depois de muito tempo, finalmente percebeu algo.
Existiam quatro rotas.
Quatro caminhos diferentes que sua vida poderia seguir.
Mas havia um problema.
Emmi descobriu que três dessas quatro rotas terminavam com sua morte.
— Três...?
Ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo.
— Então eu vou morrer de novo?
Emmi começou a tremer.
Ela não sabia qual caminho havia seguido antes.
Também não sabia qual pessoa a havia matado.
E, pior ainda...
Não sabia em qual das quatro rotas estava agora.
— Eu preciso descobrir...
A primeira pessoa que veio à sua cabeça foi Rita.
Depois Hilda.
Emmi pensou em contar tudo para elas.
Talvez suas amigas pudessem ajudá-la.
Mas então ela parou.
E se uma delas fosse a pessoa que a matou?
Emmi não conseguia esquecer aquela figura coberta diante dela.
Ela não tinha visto o rosto.
Não sabia se era homem ou mulher.
Não sabia absolutamente nada.
Se contasse às amigas e uma delas fosse a assassina...
O que aconteceria?
Emmi apertou as mãos em punhos.
— Não...
Ela balançou a cabeça.
— Eu não posso confiar em ninguém ainda.
Seu coração continuava acelerado.
Ela olhou novamente para a tela flutuante.
— Talvez...
Emmi respirou fundo.
— Talvez isso tudo seja apenas uma alucinação.
Ela fechou os olhos e balançou a cabeça rapidamente.
— Sim, sim! Deve ser isso.
Tentou sorrir.
— Talvez eu ainda esteja dormindo.
Emmi voltou para a cama e se sentou.
Mas, mesmo tentando acreditar que tudo aquilo era apenas um sonho...
Uma pergunta continuava presa em sua cabeça:
Se aquilo realmente fosse uma alucinação...
por que ela conseguia se lembrar perfeitamente de ter morrido?