Não lembro quando cheguei aquela ponte ou quando me joguei para os braços daquela água fria; lembro-me de me sentir livre pela primeira vez em anos. Não havia ordens a ser cumpridas, não havia pessoas gritando e dizendo que faço tudo errado, não havia ninguém me julgando ou me achando feia; era só eu e a água, doce fria e congelante.
Minha consciência já estava me deixando conforme a água entrava nos meus pulmões, mas não ligava para nada disso, minha mente estava focada no passado quando eu tinha apenas três anos. Minha mãe havia se matado depois de descobri a traição do meu pai.
O meu pai colocou a culpa em mim, dizendo: que por minha causa ela estava morta; eu passei o resto da vida tentando prova para o meu pai, o quão boa eu era, mas parecia que ele não ligava para os meus esforços.
No fim, eu estou aqui esperando a minha alma abandonar este pobre corpo que não deseja mais continuar sofrendo.
Devagar eu fui perdendo a consciência e logo eu não estava mais viva para contar história, minha vida cavou naquele dia, espero que eu tenha conseguido trazer dor para o meu pai.