Naquela manhã, Arthur acordou primeiro. O sol entrava tímido pelas frestas da cortina, e ele ficou ali, deitado ao lado dela, observando Júlia dormir. Havia algo quase sagrado naquela quietude. O rosto dela relaxado, os cabelos bagunçados sobre o travesseiro, os lábios ligeiramente entreabertos. Ele sorriu sozinho, sem pressa de levantar. Pela primeira vez em muito tempo, o mundo não parecia cobrar nada.
Passou os dedos pela bochecha dela, devagar, sem acordá-la. Depois levantou, fez café — com açúcar do jeito que ela gostava, mesmo que ele detestasse — e preparou duas torradas com geleia. Tudo simples, mas com cuidado. Com amor.
Quando Júlia despertou, encontrou a bandeja ao lado da cama e um bilhete em letra firme:
“Hoje não é uma data especial. Mas eu queria que começasse o dia sabendo que te amo. – A.”
Ela apertou o bilhete contra o peito e fechou os olhos por um segundo. Sabia que amar Arthur não seria fácil. Ele era intenso, por vezes instável, ainda cheio de cicatrizes que doíam de vez em quando. Mas ele estava tentando. Com cada gesto, com cada palavra. E isso já era mais do que qualquer outra coisa que ela havia vivido antes.
Mais tarde, ela foi ao mercado sozinha. Não queria que ele criasse o hábito de resolver tudo para ela. Júlia ainda fazia questão da própria independência — algo que Arthur respeitava, mesmo com aquele impulso protetor pulsando o tempo todo embaixo da pele dele.
Quando voltou, encontrou o apartamento limpo, a mesa posta, e Arthur de avental tentando fazer um molho de tomate que claramente não estava indo bem.
— Eu pensei que você fosse um CEO experiente — ela brincou, encostando na bancada, os braços cruzados.
Ele olhou pra ela por cima do ombro, fingindo indignação.
— Sou excelente em contratos internacionais. Só não fui treinado para panelas assassinas que espirram molho pra todo lado.
Ela riu. E naquele riso, havia tudo: leveza, amor, perdão, reconstrução.
Nos dias que se seguiram, não houve grandes declarações ou jantares caros. Hou…
Fodidamente Sua
Capítulo 72 – A Vida a Dois Começa em Silêncio
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Atualizado até capítulo 112
Comments
Num era sem açúcar o café que ela gostava?
2026-04-27
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Angelamariaramospereira
eles estamos suaves demais, nem parece o garanhão no cio
2026-02-25
1
Ana Nery
Que gostosura de leitura ❤️❤️❤️❤️ parabéns, Autora!! 👏👏👏👏👏
2026-02-24
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