A chuva caía sobre Nova Aurora como um presságio.
Cael Vasquez observava a cidade do alto de um edifício abandonado, os olhos cinza-tempestade fixos no horizonte de concreto e vidro que se estendia até onde a vista alcançava. A água escorria pelo seu rosto, pelo cabelo negro desalinhado, pela cicatriz fina sobre a sobrancelha esquerda. Ele não se importava. Há muito tempo não se importava com coisas pequenas como desconforto físico.
O comunicador em seu ouvido crepitou.
— Posição confirmada. Três andares abaixo do nível da rua. Dois guardas na entrada principal, um na lateral. Nenhum aberrante detectado no perímetro imediato. — A voz de Iris era seca, precisa, com o leve toque de sarcasmo que a IA parecia ter desenvolvido por conta própria. — Ou eles estão ficando mais espertos, ou estão ficando mais burros. Aposto na segunda opção.
— Recebido — Cael murmurou.
Ele não precisava de Iris para saber que algo estava errado. Sentia no ar. Na forma como as luzes da cidade pareciam piscar de forma irregular, como se o próprio tecido da realidade estivesse nervoso. Ou talvez fosse só ele. Fazia três dias que não dormia. Fazia três dias que aquele aperto no peito não o largava.
Você não devia estar aqui, pensou. Você devia ter mandado outro. Você devia ter ficado na base.
Mas ele nunca ficava.
— Cael. — A voz de Rory cortou o comunicador, áspera como sempre. — Tô vendo o prédio. Tô vendo você. Tô vendo que você tá fazendo aquela cara de quem vai fazer merda. Não faz merda.
— Definir "merda".
— Tipo entrar sozinho antes da gente chegar.
Cael quase sorriu. Quase.
— Vocês estão a dois minutos. Posso esperar.
— Ele pode esperar — confirmou Maia, a voz calma e controlada como um bisturi. — Mas não vai.
Cael não respondeu. Os dois minutos se arrastaram. Ele os usou para repassar o plano — se é que aquilo podia ser chamado de plano. Resgatar o aberrante que a Ordem do Véu estava mantendo no subsolo de um prédio comercial abandonado. Simples. Direto. O tipo de missão que a Aurora fazia três vezes por semana.
O tipo de missão que sempre dava errado.
— Chegando — anunciou Théo, e Cael ouviu o som de botas no concreto molhado atrás de si. Virou-se.
Eles eram cinco. Cinco jovens que o mundo tinha tentado matar, quebrar ou apagar — e que ainda estavam de pé, por teimosia ou por acidente. Rory à frente, com o cabelo raspado nas laterais e o sorriso torto de quem já viu coisa demais para se abalar. Maia ao lado dela, morena, olhos escuros como poços, postura de quem foi criada para obedecer e aprendeu a comandar. Théo atrás, alto e magro, dedos tamborilando no ar como se estivesse sempre tocando uma música invisível. Davi por último, o mais novo, mochila pesada de equipamentos, olhos grandes demais para o rosto.
E ao lado de Davi, encolhido dentro de um casaco cinza que não era dele, um jovem que Cael conhecia há exatamente onze dias.
Ícaro Silveira.
O cabelo castanho ondulado colava na testa por causa da chuva. Os olhos castanho-dourados — grandes, expressivos, assustados de um jeito que ele tentava esconder — encontraram os de Cael por um segundo. Um segundo apenas. Depois desviaram.
Cael sentiu o aperto no peito se intensificar.
Onze dias. Onze dias desde que o tiraram daquele laboratório. Onze dias desde que Ícaro tocou sua mão por acidente, e Cael sentiu — sentiu tudo — o medo, a dor, a esperança patética e desesperada de alguém que passou a vida inteira sendo uma arma e só queria ser uma pessoa.
Onze dias desde que Cael começou a evitar tocá-lo.
— Todos prontos? — ele perguntou, e sua voz saiu mais dura do que pretendia.
— Sempre — disse Rory.
— Nunca — disse Théo.
— Vamos logo — disse Maia.
Davi não disse nada. Ícaro também não.
Cael assentiu.
— Entrada principal. Rory, você abre caminho. Maia, escudo. Théo, fica atrás do escudo e usa a vibração para desorientar qualquer um que apareça. Davi, você fica na retaguarda com Ícaro. Se algo der errado, você anula e vocês dois correm.
— Eu não sou inútil — disse Ícaro, e foi a primeira vez que falou desde que chegaram. A voz era baixa, mas firme. — Eu posso ajudar.
Cael olhou para ele. Devia ter dito algo tranquilizador. Devia ter dito eu sei. Devia ter dito você é mais forte do que pensa.
— Você ajuda ficando vivo — disse ele. E odiou a si mesmo no instante seguinte.
Ícaro não respondeu. Apenas assentiu, o maxilar travado, e Cael sentiu — mesmo sem tocar — a onda de frustração e mágoa que emanava dele. Empatia não precisava de contato. Ícaro sentia o que todos sentiam, o tempo todo, como uma rádio que nunca desliga.
Cael se virou antes de fazer algo estúpido.
— Vamos.
***
O subsolo era um labirinto de corredores úmidos e luzes fluorescentes piscando. O cheiro de mofo e produtos químicos impregnava o ar. Cael ia à frente, os sentidos em alerta máximo, cada passo ecoando no silêncio.
Os dois guardas da entrada caíram antes de sacar as armas. Rory atravessou a porta com a naturalidade de quem passa por uma cortina — o corpo dela ficando translúcido por um instante, depois sólido do outro lado. Maia ergueu um escudo de energia azulada enquanto Théo vibrava o ar ao redor, desorientando os guardas do corredor seguinte.
Foi rápido. Foi limpo. Foi exatamente o tipo de operação que Cael sabia executar no piloto automático.
O problema começou no terceiro andar.
— Cael. — A voz de Davi, baixa e tensa, no comunicador. — Tem algo errado. O sinal de Ícaro sumiu do meu scanner.
Cael parou.
— O quê?
— O scanner não detecta ele. Como se... como se ele não estivesse mais aqui.
O sangue de Cael esfriou.
Ele se virou, e o corredor atrás dele estava vazio. Davi estava lá, mochila nas costas, olhos arregalados. Rory e Maia também. Théo também.
Ícaro não.
— Onde ele está? — A voz de Cael saiu como uma lâmina.
— Ele estava atrás de mim — disse Davi, pânico na voz. — Eu juro, ele estava atrás de mim, e então eu virei e ele não estava mais—
— Ícaro — Cael chamou, e a palavra ecoou no corredor vazio. — Ícaro, responda.
Silêncio.
E então, um som. Baixo. Distante. Vindo de baixo.
Um grito.
Cael não pensou. Não planejou. Não deu ordens. Ele simplesmente correu — na direção do som, descendo escadas que não deveria descer, atravessando corredores que não deveria atravessar, deixando para trás uma equipe que gritava seu nome.
O subsolo era mais profundo do que os mapas indicavam. Uma câmara subterrânea, iluminada por uma luz vermelha pulsante. E no centro dela, ajoelhado no chão de concreto, as mãos pressionando as têmporas, os olhos fechados com força —
Ícaro.
E ao redor dele, quatro aberrantes da Ordem do Véu.
Cael não hesitou. Ergueu a mão, e o ar ao redor dela distorceu — a matéria gritando enquanto ele a desestabilizava no nível atômico. O primeiro aberrante voou contra a parede. O segundo tentou atacar, e Cael o desintegrou da cintura para baixo antes que ele desse o segundo passo.
— Cael, não! — A voz de Ícaro, arrancada, desesperada. — Eles querem que você—
O terceiro aberrante tocou o ombro de Cael.
E o mundo explodiu em dor.
Cael caiu de joelhos, o grito preso na garganta. Era como se cada célula do seu corpo estivesse sendo arrancada, torcida, queimada. O poder do aberrante era algum tipo de tortura psíquica — ele sentia tudo o que Cael sentia, amplificado ao infinito, devolvido como uma onda de choque.
— Cael! — Ícaro se levantou, os olhos dourados brilhando com uma luz que Cael nunca tinha visto. — Solta ele!
O aberrante riu.
— Ou o quê, garoto? Você vai me fazer sentir pena de você?
Ícaro estendeu a mão.
E tocou o rosto do aberrante.
O grito que se seguiu não foi de Cael. Foi do aberrante — um som animal, dilacerado, como se algo dentro dele estivesse sendo arrancado. Ícaro não estava apenas sentindo a dor dele. Estava devolvendo. Cada pico de agonia que o aberrante infligira a Cael, Ícaro amplificou e empurrou de volta, cem vezes mais forte.
O aberrante desabou, convulsionando.
Ícaro se virou para os outros dois. Os olhos dele estavam vermelhos, o sangue escorrendo do nariz, mas ele não parou. Não podia parar. Cael sentiu — sentiu mesmo sem toque — a onda de emoção que emanava dele: raiva, sim, mas também medo, e por baixo de tudo, uma determinação feroz que não combinava com o garoto frágil que ele fingia ser.
— Chega — Cael ordenou, e sua voz saiu rouca. — Ícaro, chega. Você vai se matar.
Ícaro hesitou. Os olhos encontraram os de Cael. E naquele instante, Cael sentiu tudo — o desespero de Ícaro, a culpa, a necessidade patética de provar que era útil, que não era um fardo, que merecia estar ali.
— Eu posso — Ícaro sussurrou. — Eu posso lutar.
— Eu sei — disse Cael. E dessa vez, disse de verdade. — Mas não assim. Não sozinho.
Os dois aberrantes restantes fugiram. Cael não os perseguiu. Não conseguia. Seu corpo ainda tremia, a dor residual da tortura psíquica latejando em cada nervo.
Ícaro caiu de joelhos ao lado dele. Sem pensar, sem hesitar, as mãos do garoto encontraram o rosto de Cael — e o toque foi como uma descarga elétrica.
Cael sentiu tudo. A dor de Ícaro, o medo, a raiva, e por baixo, algo mais profundo, algo que Ícaro tentava esconder desesperadamente: o desejo. Não apenas físico. O desejo de ser visto, de ser tocado, de ser escolhido. O desejo de pertencer a alguém que não o usasse como arma.
E Cael sentiu, também, o que ele mesmo sentia. O que tentava negar há onze dias. O medo de destruir. A culpa de querer. A atração magnética que não fazia sentido, que não podia fazer sentido, que era uma fraqueza imperdoável em um líder.
Ícaro arregalou os olhos. Ele tinha sentido.
— Você... — ele começou, a voz falhando.
— Não — disse Cael, e se afastou. Bruscamente. A dor da separação foi física. — Não fala nada.
— Cael—
— Não.
O silêncio entre eles foi cortado pelo som de passos. Rory apareceu na entrada da câmara, seguida por Maia, Théo e Davi. O alívio no rosto deles ao ver Cael vivo era palpável.
— Vocês estão bem? — Rory perguntou, os olhos indo de Cael para Ícaro, para o aberrante inconsciente no chão. — Que porra aconteceu aqui?
— Ele aconteceu — disse Cael, e a amargura na sua voz surpreendeu até a ele mesmo.
Ícaro baixou os olhos. O sangue ainda escorria do nariz dele, misturando-se à chuva que entrava por alguma fenda no teto. Ele parecia menor, de repente. Menos como a arma que a Ordem do Véu queria que ele fosse. Mais como o garoto de dezenove anos que ele realmente era.
— Eu só queria ajudar — ele sussurrou.
Cael fechou os olhos. Contou até três. Quando os abriu, sua voz estava controlada de novo.
— Vamos embora. Antes que mais deles apareçam.
***
A base da Aurora ficava nos arredores da cidade, escondida sob a fachada de um galpão industrial abandonado. Do lado de dentro, era um bunker de alta tecnologia — corredores limpos, luzes brancas, portas blindadas. O tipo de lugar que existia para durar. O tipo de lugar que Cael odiava, porque cada parede lembrava a ele que estavam sempre escondidos, sempre fugindo.
O Dr. Elias Rocha os esperava na sala de comando. Cinquenta anos, cabelo grisalho, olheiras profundas, expressão de quem já viu jovens demais voltarem machucados demais.
— Relatório — disse ele, sem preâmbulo.
Cael deu. Missão cumprida parcialmente. O aberrante que deveriam resgatar não estava lá. Em vez disso, encontraram uma emboscada. Quatro aberrantes da Ordem. Um deles capturado, inconsciente na cela de contenção.
— E o garoto? — Elias olhou para Ícaro, que estava sentado em uma maca, uma enfermeira limpando o sangue do rosto dele. — O que aconteceu?
— Ele lutou — disse Cael. — Salvou minha vida.
Elias ergueu uma sobrancelha.
— Ele salvou sua vida.
— Foi o que eu disse.
O silêncio se estendeu. Elias olhou de Cael para Ícaro, depois de volta para Cael, e algo nos olhos dele — algo que parecia compreensão, ou talvez pena — fez Cael querer sair da sala.
— Vocês dois precisam conversar — disse Elias, baixinho. — Antes que isso vire um problema.
— Não é problema.
— Cael.
— Não é problema.
Ele saiu antes que Elias pudesse dizer mais alguma coisa.
***
O quarto de Cael ficava no fim do corredor oeste. Pequeno, espartano, uma cama, uma mesa, uma janela que dava para o nada. Ele fechou a porta, encostou-se nela, e ficou ali por um longo momento, respirando.
Onze dias.
Onze dias desde que Ícaro entrou na sua vida. Onze dias desde que Cael sentiu, pela primeira vez em anos, algo que não era culpa ou dever. E ele odiava isso. Odiáva querer. Odiáva precisar. Odiáva a forma como o coração dele acelerava quando Ícaro olhava para ele, como se o garoto pudesse ver através de todas as camadas de controle que Cael passou a vida construindo.
Ele pensou em Dante. No sorriso dele, na forma como ele dizia o nome de Cael, na última vez que o viu vivo. Você não é uma arma, Dante tinha dito. Você é um homem. E homens sentem.
Cael tinha falhado com Dante. Tinha falhado com Lena. E agora, a única coisa que conseguia pensar era que, se ele falhasse com Ícaro, não haveria redenção possível.
Uma batida na porta.
— Vai embora — disse Cael, sem se virar.
— Não vou.
A voz de Ícaro.
Cael fechou os olhos. Contou até três. Abriu a porta.
Ícaro estava parado no corredor, o rosto ainda marcado pela batalha, os olhos dourados fixos nos dele. Não havia medo ali. Não havia hesitação. Havia algo mais — algo que Cael não queria nomear.
— Você sentiu — disse Ícaro, baixinho. — Quando eu te toquei. Você sentiu o que eu sinto.
Cael não respondeu.
— E eu senti o que você sente — continuou Ícaro, e a voz dele tremeu. — Você quer. Você quer tanto quanto eu. Mas está com medo.
— Ícaro—
— Não me chama de garoto. Não me trata como algo frágil. Eu não sou frágil. Eu sobrevivi a coisas que você nem imagina. E eu sinto você, Cael. Sinto você todos os dias, mesmo quando não te toco. Sinto a culpa, o medo, a raiva. E sinto... sinto isso. Essa coisa entre a gente. E eu não sei o que fazer com ela. Mas eu sei que não posso continuar fingindo que não existe.
Cael olhou para ele. Para o garoto que a Ordem do Véu transformou em arma. Para o garoto que, mesmo assim, escolheu salvá-lo. Para o garoto que estava ali, em pé, dizendo tudo o que Cael não tinha coragem de dizer.
— Você não sabe o que está pedindo — disse Cael, e a voz saiu rouca.
— Então me explica.
— Eu posso te destruir. Meu poder... eu já matei alguém que amava. Eu já perdi alguém por não conseguir controlar isso. Eu não vou—
— Você não vai o quê? — Ícaro deu um passo à frente. — Me proteger me afastando? Me manter longe porque tem medo de sentir? Cael, eu passo o dia inteiro sentindo o que todo mundo sente. Eu sinto a dor de estranhos na rua. Eu sinto o medo dos guardas que a gente enfrenta. Eu sinto tudo. A única pessoa que me faz sentir algo bom... é você. A única pessoa que me faz sentir que vale a pena existir... é você.
Cael sentiu o chão se abrir sob seus pés.
— Você nem me conhece — ele disse, e foi a coisa mais honesta que conseguiu dizer.
— Eu conheço o suficiente — respondeu Ícaro. — Eu conheço o que você sente. E o que você sente por mim... é a coisa mais bonita que eu já senti na vida.
E então ele fez algo que Cael não esperava.
Ele tocou a mão de Cael.
O toque foi suave, quase tímido. Mas a descarga de emoção que atravessou os dois foi tudo menos suave. Cael sentiu tudo — o desejo de Ícaro, a esperança, o medo, a solidão. E Ícaro sentiu tudo de Cael — a culpa, a raiva, o desejo, e por baixo de tudo, algo que Cael não conseguia mais negar.
Ele queria. Ele queria tanto que doía.
— Me diz para ir embora — sussurrou Ícaro, os olhos brilhando. — Me diz que não sente nada, e eu vou. Eu juro que vou.
Cael não disse.
Não conseguia.
Em vez disso, ele fez algo que não fazia há anos.
Ele cedeu.
Não muito. Não o suficiente para beijá-lo. Mas o suficiente para puxá-lo para dentro do quarto, fechar a porta, e encostar a testa na dele.
— Isso não pode dar certo — sussurrou Cael.
— Talvez não — respondeu Ícaro. — Mas eu quero tentar.
Cael fechou os olhos. Sentiu a respiração de Ícaro, o calor do corpo dele, a mão dele ainda segurando a sua. Sentiu o que ele sentia. E pela primeira vez em anos, não sentiu medo.
Sentiu esperança.
E foi por isso que, quando o alarme soou — um som agudo, cortante, vindo do sistema de segurança —, Cael sentiu o chão desaparecer sob seus pés.
— Alerta de intruso — anunciou Iris, e a voz dela, normalmente sarcástica, estava tensa. — Setor leste. Alguém entrou.
Cael se afastou de Ícaro, o rosto endurecendo.
— Quem?
— Não sei. Mas...
— Mas o quê?
Iris hesitou. E quando falou, a voz dela estava estranhamente baixa.
— Ele está pedindo para falar com você. Pelo nome. Ele diz que é um velho amigo.
Cael sentiu o sangue esfriar.
— Quem?
— Ele diz que o nome dele é Renato.
O mundo parou.
Cael olhou para Ícaro. Para o garoto que, segundos antes, o estava beijando com os olhos. Para o garoto que, agora, olhava para ele com uma nova expressão — não de medo, mas de compreensão. Como se já soubesse.
— Cael? — Ícaro chamou, baixinho. — Quem é Renato?
Cael não respondeu.
Mas seus olhos — cinza-tempestade, assustados, raivosos — disseram tudo.