NovelToon NovelToon

O IMPÉRIO DO NOSSO AMOR

CAPÍTULO 1: O AROMA DA DESPEDIDA

SINOPSE 📖✨

Ela precisava proteger o futuro do filho. Ele só conhecia o controle. Juntos, eles descobriram que o maior império é aquele construído pelo amor.

Aurora sempre foi uma mulher de fibra. Advogada brilhante e mãe solo dedicada, ela aprendeu da forma mais dura a não depender de ninguém para proteger o pequeno Davi. Determinada a garantir a estabilidade de sua família, ela assume a liderança do setor internacional do renomado escritório Vance & Associates — sem imaginar que seu maior desafio seria o homem por trás da presidência.

Lucas Vance é a definição do sucesso corporativo: implacável, estrategista e blindado contra qualquer tipo de sentimento. Acostumado a ter o controle absoluto de tudo ao seu redor, ele vê suas certezas ruírem quando a inteligência e a integridade de Aurora cruzam o seu caminho. O que começa como uma convivência profissional intensa logo se transforma em uma atração incontrolável.

Mas quando as feridas do passado ameaçam a segurança de Aurora, Lucas descobre que existem batalhas que não podem ser vencidas com contratos. Determinado a ser a rocha de que ela e Davi precisam, o executivo Inacessível abre mão do controle para aprender a amar, proteger e acolher.

Entre as paisagens inesquecíveis da Costa Amalfitana, o nascimento da pequena Bella e a criação de um legado voltado a transformar vidas, Lucas e Aurora provam que a verdadeira força não está no poder, mas na coragem de se entregar a um amor inabalável.

Uma história emocionante sobre segundas chances, superação e a construção de um porto seguro para a vida toda. ❤️🏡✨

...----------------...

🔞 CLASSIFICAÇÃO: +18

Conteúdo: romance adulto, cenas de sexo explícito, desejo e atração sexual, linguagem adulta, conflitos emocionais, gravidez, maternidade, ameaças e situações de tensão.

⚠️ Aviso de conteúdo

Esta obra contém conteúdo sexual explícito, linguagem adulta e temas maduros. Recomendada exclusivamente para maiores de 18 anos.

©️ Direitos autorais

© 2026 — Lorrayna Viana. Todos os direitos reservados.

Esta é uma obra 100% autoral e fictícia. Qualquer semelhança com pessoas, empresas ou acontecimentos reais é mera coincidência. É proibida a reprodução, cópia, distribuição ou publicação desta obra, total ou parcialmente, sem autorização da autora.

Nenhuma parte desta história foi copiada ou reproduzida de outra obra. ❤️📚

...----------------...

Aurora

Gustavo

Juliana

Nathalia

PDV: Aurora

O silêncio do meu quarto parecia mais alto do que o barulho dos carros na rua. O relógio sobre o criado-mudo marcava quatro horas da manhã. A luz fraca do abajur desenhava sombras nas paredes, mas meus olhos recusavam qualquer tentativa de fechar. Cada segundo que passava era um ponteiro arrancando um pedaço do meu peito.

Gustavo — Você não dormiu nada, não é?

A voz dele veio rouca, rente à minha orelha. O braço pesado de Gustavo envolveu minha cintura, me puxando contra o peito quente dele.

Aurora — Como eu vou dormir, Gustavo ? Em poucas horas você vai estar dentro de um avião.

Gustavo — Eu não queria que esse momento chegasse tão rápido, Aurora. Parece que o tempo acelerou de propósito só para me arrancar de perto de você.

Aurora — Eu estou com medo... Tenho tanto medo do que essa distância pode fazer com a gente.

Gustavo — Olha para mim.

A mão dele segurou meu queixo devagar, me forçando a virar a cabeça no travesseiro. Os olhos escuros de Gustavo fixaram-se nos meus com uma intensidade que quase me tirava o ar. Ele parecia querer memorizar cada traço do meu rosto.

Gustavo — Nada no mundo vai mudar o que eu sinto por você. Essa bolsa de estudos é a oportunidade da minha vida, mas você é a minha vida. Entendeu?

Aurora — Eu tenho tanto orgulho de você, meu amor. Eu sei o quanto você batalhou por isso... Mas dói tanto saber que amanhã eu não vou poder correr para o seu abraço no fim da aula de Direito.

Gustavo — É só uma fase. Nós vamos nos falar todos os dias. Eu vou te ligar assim que pisar em Nova York. Vou te acordar com chamadas de vídeo, vou mandar mensagem entre cada aula... Nós vamos fazer dar certo.

Aurora — Promete? Promete que o mundo lá fora não vai te fazer esquecer do que a gente construiu aqui desde o ensino médio?

Gustavo — Eu te prometo pela minha vida, Aurora. Eu sou seu. Sempre fui.

A promessa veio acompanhada do toque das mãos dele, firmes e sem qualquer hesitação. Gustavo puxou meu corpo para cima do dele, eliminando a distância entre as nossas peles. O calor do peito dele contra o meu fez o frio da madrugada desaparecer por completo. Ele envolveu meu rosto com as duas mãos e selou nossos lábios em um beijo faminto, profundo, como se estivesse tentando beber cada sopro de vida que me restava.

A língua dele invadiu minha boca com desespero contido. Eu passei minhas mãos pelos cabelos pretos e curtos dele, puxando-o para mais perto, cravando minhas unhas na sua nuca.

Gustavo — Eu quero que essa noite fique gravada em cada centímetro da sua pele.

Aurora — Eu já sou sua, Gustavo ... Sou sua por inteiro.

Gustavo desceu os beijos pela minha mandíbula, demorando-se na curva do meu pescoço, onde a sua respiração quente fazia todo o meu corpo arpiar. Com um movimento ágil e dominador, ele prendeu meus dois pulsos acima da minha cabeça contra o colchão, me encarando de cima com um olhar carregado de desejo puro.

Gustavo — Diz que você é minha.

Aurora — Sou sua... Completamente sua, Gustavo .

A mão livre dele desceu devagar pela minha barriga, arranhando a pele macia até alcançar a borda da minha lingerie. Os dedos dele deslizaram para dentro do tecido já úmido, tocando o centro da minha intimidade com uma pressão precisa e dolorosamente prazerosa. Eu arfei alto, curvando a coluna para cima em busca de mais atrito.

Gustavo — Você está tão quente... Tão pronta para mim, Aurora.

Aurora — Por favor... Não me provoca. Eu preciso de você agora!

Gustavo subiu o corpo e cravou os dentes na minha clavícula com força, deixando uma marca vermelha e dolorida que me fez soltar um gancho de prazer arranhado na garganta. A dor leve misturada à urgência do toque dele fez minha mente desligar. Ele usou a outra mão para rasgar o tecido da minha calcinha sem qualquer paciência, abrindo minhas pernas com os joelhos e se encaixando perfeitamente no meu quadril.

O choque seco do corpo dele contra o meu fez a cabeceira da cama bater contra a parede. Gustavo empurrou de uma vez só, preenchendo cada centímetro interno com um movimento firme, profundo e visceral.

Aurora — Meu Deus... Gustavo !

Gustavo — Sente isso... Sente como o meu corpo foi feito para o seu.

O ritmo dele começou lento e pesado. Ele afundava até o limite, puxava o corpo quase até a ponta e voltava a golpear com mais força, fazendo os quadris se chocarem com um som ritmado e cru. Minhas mãos, agora livres, se cravaram nas costas nuas dele, puxando-o para mim enquanto a respiração pesada dele preenchia o silêncio do quarto.

Gustavo — Você nunca mais vai me esquecer. Ninguém no mundo vai te tocar como eu toco.

Aurora — Eu nunca vou querer outro... Mais forte, Gustavo ! Por favor!

Ele segurou minhas coxas com firmeza, erguendo minhas pernas e mudando o ângulo da penetração. Cada estocada era rápida, desesperada, embalada pela certeza dolorosa de que o sol nasceria em breve. O atrito entre as nossas peles suadas gerava um calor insuportável, e os sussurros roucos dele no meu ouvido ditavam o ritmo alucinante do meu clímax.

Gustavo — Eu vou gozar dentro de você, Aurora... Segura firme em mim!

Aurora — Vem comigo... Agora, Gustavo !

O impacto final veio acompanhado de uma mordida forte no meu ombro. A pele marcada acendeu meu corpo por inteiro, fazendo minha musculatura se contrair em ondas violentas de prazer ao redor dele. Meus calcanhares afundaram no colchão enquanto Gustavo soltava um rosnado baixo contra o meu pescoço, despejando todo o seu calor no meu interior antes de desabar exausto sobre o meu peito.

Ficamos ali, enlaçados, ouvindo apenas o bater desordenado dos nossos corações.

Gustavo — Eu te amo, Aurora.

Aurora — Eu te amo... Volta logo para mim.

PDV: Gustavo

O som alto da buzina do táxi na rua cortou o ar como uma lâmina. Olhei para a mulher deitada na minha cama, os cabelos castanhos-claros e volumosos espalhados pelo travesseiro, a luz do amanhecer batendo nos seus olhos verdes cheios de lágrimas não derramadas.

Gustavo — É a minha hora, meu amor. O carro chegou.

Aurora — Não abre essa porta ainda... Por favor, Gustavo .

Gustavo — Se eu perder esse voo, eu perco a bolsa. Você sabe o quanto eu lutei por isso.

Aurora — Eu sei... Me dá só mais um abraço.

Inclinei-me sobre a cama, sentindo o cheiro do nosso sexo ainda impregnation na pele dos dois. O aperto dos braços dela ao redor do meu pescoço era sufocante, carregado de um pressentimento que eu me recusei a escutar naquele momento.

Gustavo — Cuida da gente no Brasil. Eu prometo que construo o nosso futuro lá fora.

Aurora — Eu vou te esperar. Todos os dias.

Peguei minha mala no canto do quarto e saí sem olhar para trás. Eu sabia que, se olhasse nos olhos dela mais uma vez, a coragem de subir naquele avião sumiria por completo.

PDV: Aurora

As duas primeiras semanas foram perfeitas. Gustavo cumpriu cada palavra da promessa.

Ele me ligava todos os dias pela manhã antes das minhas aulas na faculdade de Direito, mandava fotos do campus em Nova York e passávamos horas na chamada de vídeo antes de dormir. O amor dele parecia intocável, e a distância, apenas um detalhe temporário.

Mas na terceira semana, as coisas começaram a mudar. As mensagens de texto ficaram mais curtas, e as chamadas de vídeo deram lugar a desculpas sobre "trabalhos acumulados" e "adaptação difícil".

Até que, no final da quarta semana, o telefone dele simplesmente parou de atender as minhas chamadas diretas.

Juliana — Ele ainda não respondeu, Aurora?

Aurora — Não. Ele disse que ia estudar na biblioteca hoje à noite, mas já são quase meia-noite lá.

Juliana — Liga para o número fixo do apartamento que ele alugou com os colegas de faculdade. Você tem o número, não tem?

Aurora — Tenho. Mas eu não queria parecer a namorada paranoica e chiclete...

Natália — Chiclete? Aurora, vocês namoram há anos! Você tem todo o direito de saber se ele está bem. Liga logo.

Peguei o celular com as mãos trêmulas e disquei o número do apartamento de Nova York. A linha chamou uma, duas, três vezes. Quando finalmente atenderam, o som que vazou pelo alto-falante não era o silêncio de uma biblioteca.

Era música alta. Risadas. Barulho de copos se chocando e várias vozes conversando em inglês.

Amigo — Hello?

Aurora — Oi... Por favor, o Gustavo está? Aqui é a Aurora, a namorada dele do Brasil.

Amigo — Ah, a namorada do Brasil! Olhe, o Gustavo não pode atender agora. Ele está... ocupado. Sabe como é, festa de boas-vindas do departamento.

Aurora — Festa? Mas ele me disse que estaria estudando... Você pode chamar ele para mim, por favor? É rápido.

Amigo — Cara, ele tá bem longe do telefone agora. Larga do pé dele um pouco, garota. Amanhã ele te liga.

A chamada foi encerrada na minha cara. Olhei para o visor do celular, sentindo um nó doloroso se formar na minha garganta.

Juliana — O que ele falou?

Aurora — Tinha uma festa no apartamento. O amigo dele disse que ele estava ocupado... e desligou.

Natália — Calma, pode ser só uma comemoração da turma. Espera até amanhã.

Eu esperei. Esperei o dia seguinte inteiro, mas Gustavo não mandou nenhuma mensagem. A angústia dentro do meu peito virou um incêndio. Às onze da noite, incapaz de suportar o silêncio, disquei novamente para o celular pessoal de Gustavo .

Dessa vez, a chamada atendeu no segundo toque.

Aurora — Gustavo ? Meu Deus, por que você não me mandou mensagem hoje? Eu fiquei preocupada com...

Mulher — Hello? Quem é?

O mundo parou. A voz feminina do outro lado da linha falava um inglês fluente, arrastado e intimista. Havia um silêncio de quarto ao fundo.

Aurora — Quem é você? Cadê o Gustavo ?

Mulher — Ah... o Gustavo tá no banho agora. Quem tá falando?

O ar fugiu completamente dos meus pulmões. A sensação foi de um soco seco no meio do meu estômago.

Aurora — Passa o telefone para ele. Agora!

Mulher — Escuta aqui, querida, ele deixou o celular na mesa da sala. Ele já vai sair do banho, mas acho que ele não tá muito a fim de atender cobrança agora não... — a mulher deu uma risada baixa e desdenhosa antes de completar: — Se quiser, eu aviso que a garota do Brasil ligou.

A linha ficou mudo. Ela desligou.

O celular caiu da minha mão sobre o sofá. Minhas amigas me encaravam com olhos arregalados, vendo o meu rosto perder totalmente a cor.

Juliana — Aurora... O que aconteceu? Quem atendeu?

Aurora — Uma mulher... Uma mulher disse que ele estava no banho.

CAPÍTULO 2: O CHÃO QUE SUMIU

PDV: Aurora

Três dias. Foram três dias inteiros de um silêncio ensurdecedor desde que a voz daquela mulher ecoou pelo meu celular, avisando que Gustavo estava no banho. Eu não comi direito, não consegui focar nas aulas de Direito e passei cada segundo encarando a tela escura do aparelho, esperando por uma explicação que nunca veio.

Juliana — Chega, Aurora! Pelo amor de Deus, larga esse celular!

Juliana deu dois passos firmes pela sala do meu apartamento e arrancou o aparelho das minhas mãos, jogando-o no estofado do sofá.

Aurora — Devolve, Ju! Se ele ligar e eu não atender...

Juliana — Se ele ligar, ele que espere! Faz três dias que você tá definhando nessa sala por causa de um cara que tá vivendo a vida boa em Nova York enquanto você chora nos cantos. Hoje você vai beber, vai chorar tudo o que tem para chorar e vai botar essa dor para fora!

Natália abriu uma garrafa de tequila sobre a mesa de centro, enquanto conectava o celular na caixa de som. Em poucos segundos, os acordes marcantes de Solteiro Forçado tomavam conta do ambiente, preenchendo o ar com a voz da Ana Castela.

Aurora — Eu não devia estar bebendo assim... Meu estômago tá esquisito desde cedo.

Juliana — É ansiedade, Aurora. O seu estômago tá assim porque você tá alimentando essa angústia. Toma esse shot.

Eu peguei o copo pequeno das mãos dela. O líquido transparente queimou minha garganta de um jeito agressivo, mas a dor no meu peito era tão maior que o queimado no esôfago nem fez diferença. A letra da música parecia ter sido escrita para a minha desgraça.

Aurora — A gente só tá solteiro... porque é obrigado... — cantei em um fio de voz, sentindo a primeira lágrima quente rasgar minha bochecha. — Ele me prometeu, Ju... A gente namora há anos! Ele jurou pela vida dele que nada ia mudar!

Natália — Homem promete qualquer coisa quando quer ir embora, amiga. Infelizmente a gente só descobre a verdade quando a distância aperta.

Aurora — Mas a gente sempre teve tanta confiança um no outro... A gente sempre transou sem camisinha porque eu tomo meu anticoncepcional certinho todo dia no mesmo horário! A gente dormiu junto na véspera de ele ir embora, ele me abraçou, me beijou, disse que me amava... Como é que em um mês ele coloca outra mulher no quarto dele?

Juliana — Enchendo a cara! Que nem a gente vai fazer agora. Virou!

Virei o segundo shot. Depois o terceiro. O som da música sertaneja parecia martelar na minha cabeça, misturando a mágoa com o efeito do álcool que subiu rápido demais. O mundo ao meu redor começou a perder o contorno firme. A sala rodava em um ritmo lento e enjoativo.

Aurora — Eu vou... Eu acho que vou no banheiro...

Natália — Você tá pálida, Aurora. Quer ajuda?

Aurora — Não, eu tô bem... Só preciso de um pouco de água no rosto.

Me levantei do sofá, mas as minhas pernas não responderam. O chão simplesmente sumiu de debaixo dos meus pés. A última visão que tive foi o rosto assustado de Juliana se esticando para me segurar antes de tudo apagar em uma escuridão fria.

PDV: Aurora

O cheiro forte e característico de álcool e antisséptico foi a primeira coisa que invadiu meus sentidos. Abri os olhos devagar, incomodada com a luz branca e fria do teto. O bipe cadenciado de um monitor cardíaco confirmava o que eu mais temia: eu estava em uma sala de emergência.

Juliana — Graças a Deus! Você acordou!

Aurora — Ju... O que aconteceu? Me traz um copo d'água, minha boca tá seca...

Juliana — Você desmaiou feio na sala, Aurora. Ficou desacordada por alguns minutos e a sua pressão despencou. A gente se assustou tanto que chamou a ambulância direto.

Aurora — Que vergonha... Eu exagerei na tequila, né? O médico já vai me dar alta? Eu preciso ir para casa.

A cortina do leito foi puxada para o lado, e um médico de jaleco branco e cabelos grisalhos entrou segurando um prontuário de papel. Ele nos encarou com uma expressão calma, porém extremamente séria.

Doutor — Boa noite, Aurora. Sou o Dr. Marcos. Como você está se sentindo agora?

Aurora — Com uma dor de cabeça chata, doutor. Mas já tô melhor. Foi só uma intoxicação por álcool ou uma queda de pressão, né? Pode me dar alta para eu dormir em casa?

Doutor — Na verdade, Aurora, o seu quadro não teve nada a ver com o álcool. Nós colhemos o seu sangue assim que você deu entrada para rodar um painel completo por conta do desmaio.

Aurora — E deu alguma coisa errada?

Doutor — Depende da perspectiva. O resultado do seu exame de sangue indicou um nível elevado de Beta HCG.

A sala pareceu congelar. Olhei para o médico sem entender, com o coração começando a acelerar no peito.

Aurora — O que é Beta HCG, doutor?

Doutor — É o hormônio da gravidez, Aurora. Você está grávida. Pelo nível hormonal, cerca de seis a sete semanas de gestação.

O som do monitor cardíaco pareceu disparar no meu ouvido. Senti minha cabeça girar e o choque tomar conta do meu corpo inteiro. Minha mão foi automaticamente para a minha barriga, ainda completamente lisa.

Aurora — Como assim grávida, doutor?! Isso é impossível! O senhor tem certeza absoluta desse resultado? Esse teste não tá trocado?

Doutor — O teste de Beta HCG quantitativo no sangue é extremamente preciso, Aurora. Não há margem para erro.

Aurora — Mas doutor, eu tomo remédio! Eu tomo meu anticoncepcional certinho há anos, todo santo dia no mesmo horário! Como é que eu posso estar grávida?!

Doutor — O anticoncepcional oral é muito eficaz, mas nenhum método contraceptivo é 100% infalível. Uma infecção intestinal, o uso de algum antibiótico ou até um pico alto de estresse emocional pode cortar a eficácia da pílula sem você perceber.

Eu olhei para o teto, paralisada. A conta era exata. A noite de despedida. Como namorávamos há anos e eu tomava o remédio, a gente nunca usava camisinha. Ele se entregou inteiro dentro de mim naquela última madrugada... e meu remédio tinha falhado.

Juliana — Meu Deus... Aurora...

Aurora — Não pode ser... Eu tô grávida do Theo...

Juliana — Você tem que ligar para ele agora! Ele precisa saber! Ele tem que assumir a responsabilidade dele!

Aurora — Me dá o meu celular. Por favor.

Juliana tirou o aparelho da bolsa e me entregou. As minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o celular cair no colchão. Disquei o número pessoal de Gustavo diretamente. A cada toque da linha chamando no meu ouvido, meu peito parecia que ia explidir de pânico.

Um toque. Dois toques. Três toques.

Gustavo — Aurora?

A voz dele veio seca, sem nenhum pingo daquele carinho de anos de namoro. Mas ouvir a voz dele me trouxe um fio de esperança em meio ao caos.

Aurora — Theo! Meu Deus, graças a Deus você atendeu! Theo, me escuta, eu preciso muito falar com você, é uma coisa urgente, eu tô no hospital e...

Gustavo — Aurora, para. Escuta você primeiro.

Aurora — O quê? Theo, deixa eu falar, é sério...

Gustavo — Não, Aurora, escuta. Não dá mais para continuar assim.

O ar fugiu da minha garganta. O tom dele era de uma frieza brutal.

Aurora — Do que você tá falando?

Gustavo — Essa distância não tá funcionando. Nossas vidas estão seguindo caminhos completamente diferentes aqui. Eu não tenho tempo para ficar lidando com cobrança de namoro à distância enquanto preciso focar na minha carreira.

Aurora — Cobrança? Theo, a gente namora há anos! Uma mulher atendeu o seu celular há três dias! Eu só queria saber o que tava acontecendo! E agora eu tô te ligando porque aconteceu uma coisa com a gente...

Gustavo — Não importa o que aconteceu, Aurora! O fato é que não dá mais. É melhor a gente terminar por aqui. Cada um segue a sua vida no seu país.

Aurora — Theo! Não faz isso, por favor! Me ouve, eu tô grávida! Nosso remédio falhou, eu tô grávida de você!

A linha ficou em absoluto silêncio por dois segundos. Tudo o que eu ouvia era a minha própria respiração desgovernada.

Gustavo — Não vem inventar drama para me prender, Aurora. Eu te conheço. Se cuida. Adeus.

Tu... tu... tu...

A chamada foi encerrada. Ele desligou na minha cara.

Eu continuei segurando o celular rente à orelha, ouvindo o som da linha morta. A sensação era de ter sido destruída por dentro. As lágrimas caíram silenciosas, lavando o meu rosto enquanto a raiva tomava o lugar da mágoa.

Juliana — O que ele disse, Aurora? Ele tá vindo para o Brasil?

Eu baixei o celular devagar e olhei bem nos olhos das minhas duas amigas. Limpei o rosto com as costas da mão e apertei o aparelho até os nós dos meus dedos ficarem brancos.

Aurora — Ele disse que eu tô inventando drama. Ele me abandonou.

Natália — Aquele desgraçado...

Aurora — Escutem bem o que eu vou dizer para vocês duas. — Minha voz saiu firme, preenchida por um orgulho que eu nem sabia que tinha. — O nome do Gustavo morre hoje nesta conversa. Esse bebê é meu. Só meu. Eu vou ter esse filho sozinha, vou me formar naquela faculdade e nunca mais na minha vida eu vou rastejar por homem nenhum.

CAPÍTULO 3: O PESO DE UMA NOVA VIDA

PDV: Aurora

A sala de estar dos meus pais parecia maior do que o normal. O cheiro de café passado pairava no ar, um conforto familiar que, naquele momento, me parecia estranho. Meus pais, Helena e Carlos, estavam sentados no sofá, trocando olhares de expectativa. Eu não podia mais esconder.

Aurora — Eu preciso contar uma coisa para vocês. Algo que vai mudar tudo.

Helena — Você está pálida, filha. O que houve? Pode falar.

Respirei fundo, sentindo o peso do segredo pressionar meus pulmões. O nome dele na minha garganta parecia veneno, mas eu precisava dizer.

Aurora — Eu estou grávida.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Meu pai deixou a xícara que segurava no pires com um estalo seco. Minha mãe levou a mão ao peito, os olhos arregalados.

Carlos — Grávida?

Aurora — Sim. De quase dois meses.

Helena — Do Gustavo ? Mas... eu não entendo. Vocês não namoravam há anos? Ele não era o rapaz que passava todos os domingos aqui, ajudando seu pai no churrasco?

Aurora — Aquele Gustavo não existe mais, mãe. Quando a bolsa de estudos surgiu, ele foi embora para Nova York. E quando eu liguei para contar sobre o bebê, ele me abandonou por telefone.

Carlos — Ele fez o quê? Aquele moleque teve a coragem de terminar com você por telefone sabendo da sua situação?

Aurora — Ele disse que eu estava "inventando drama". Ele não quer saber do bebê. Ele não quer saber de mim.

Helena — Eu não consigo acreditar... Ele sempre foi tão educado, tão correto, tão carinhoso com você. Deve haver algum engano. Você tem certeza que ele entendeu a gravidade da situação?

Aurora — Eu tenho certeza absoluta, mãe. Ele escolheu a nova vida dele. E eu escolhi a minha.

Minha voz saiu mais firme do que eu esperava. Minha mãe ainda parecia processar a informação, olhando para mim como se procurasse uma explicação para a mudança tão brusca de caráter do ex-namorado.

Carlos — Escute bem, Aurora. Você é nossa filha. Se esse rapaz não tem a honra de assumir o que fez, ele não merece nem ser mencionado nesta casa.

Helena — Seu pai tem razão. Nós vamos estar aqui para tudo o que você precisar. Mas, por favor, me diga que você não vai deixar que isso estrague o seu futuro. Você tem um sonho, você está na faculdade de Direito...

Aurora — Eu não vou desistir de nada. Eu vou me formar, eu vou ser uma advogada brilhante e vou criar meu filho sozinha. Mas tenho um pedido para vocês: nunca mais falem o nome dele perto de mim ou do meu filho. O Gustavo morreu para nós hoje.

Carlos — Combinado. Ninguém mais fala esse nome nesta casa.

PDV: Aurora

Meses depois...

A barriga pesada me impedia de fazer movimentos simples, mas a minha mente nunca esteve tão afiada. Entre uma contração e outra nos últimos dias, eu terminei os resumos de Direito Processual. Meus pais foram o meu porto seguro, cuidando da casa, da minha saúde e da minha paz de espírito, enquanto eu me recusava a ser a coitada da história.

Chegou o dia. O hospital estava silencioso, exceto pelo som dos monitores. Meus pais estavam na sala de espera, mas dentro do quarto, quem segurava minha mão eram minhas amigas leais, Juliana e Natália.

Natália — Você consegue, Aurora! O bebê já está vindo!

Juliana — Respira, amiga! Vai dar tudo certo!

A dor da última contração foi como um incêndio, mas quando o choro agudo e forte do bebê preencheu o quarto, tudo se apagou. A exaustão e a dor foram substituídas por uma onda de amor avassalador que eu nunca tinha sentido antes.

Doutora — Aqui está ele. É um menino lindo e saudável.

A médica colocou o pequeno corpo sobre o meu peito. A pele rosada, os olhos fechados e o movimento suave da respiração dele eram a prova de que eu tinha feito a escolha certa.

Aurora — Oi, meu amor... Oi, Davi.

Natália — Davi? Que nome lindo, Aurora.

Aurora — Ele é o meu começo de tudo. E o fim de qualquer história triste que eu vivi antes.

Olhei para o rostinho dele, buscando qualquer traço do homem que o gerou. Mas naquele momento, eu só vi o meu próprio filho. O meu orgulho. O meu futuro.

Davi abriu os olhinhos, um azul escuro que prometia tempestades. Eu não sabia, mas naquele momento, milhares de quilômetros de distância, o destino começava a traçar as linhas que nos levariam ao reencontro que mudaria tudo.

Para mais, baixe o APP de MangaToon!

novel PDF download
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!