Ravi Dumont,
Estou dentro de um maldito porta-malas. Estão me sequestrando por dinheiro, dinheiro esse que venho ganhando nos meus cassinos há dez anos. Meus seguranças estão todos mortos, exceto um: o traidor. Mas o erro dele foi ter mostrado o rosto para mim, porque, se acha que vou morrer depois de entregar tudo o que é meu, é porque não me conhece direito.
O carro para em um lugar que suspeito ser uma rua de terra, já que consigo ouvir o barulho das pedras batendo na parte de baixo do carro. Fecho os olhos quando escuto a trava do porta-malas se abrindo.
— Chefe, ele ainda está apagado. — um deles fala, mas não é o traidor.
— Vamos ter que tirar ele daí e amarrar na cadeira lá dentro. Temos que tomar cuidado para ele não acordar, ou mata todo mundo e o plano vai por água abaixo.
Sinto eles me puxando para fora. São quatro homens para me carregar, dois pelas pernas e dois pelos braços. Quando sinto o frio do chão nas minhas costas, por terem me colocado no chão, abro só um pouco os olhos. Vejo todos de costas para mim, olhando para a cadeira onde querem me prender.
Depois, os mesmos quatro me pegam novamente e me colocam sentado. Quando sinto a mão de um deles pegando na minha para colocá-la para trás, puxo de uma vez e abro os olhos. Seguro ele pelo braço e o puxo para o meu colo quando os outros começam a vir contra mim, já me colocando de pé. Jogo ele contra um dos caras, fazendo os dois caírem no chão. Logo começo a distribuir socos e chutes em todos eles.
— Don... me perdoa... — Ouço a voz do traidor, então, me viro de frente para ele. O cara que quase virou chefe dos meus seguranças por ter conquistado a minha confiança.
— Quem perdoa é Deus, mas você vai pro inferno. — Me abaixo, pegando a arma de um dos seguranças dele, e aponto para a sua cabeça. — Você é um maldito desgraçado. Se queria mais dinheiro, por que não pediu emprestado?
— Porque eu teria que pagar... e sei como você cobra. Teria sido o roubo perfeito se você não acordasse.
— Pena que escolheu a presa errada. Te vejo no inferno, desgraçado. — Puxo o gatilho sem nenhum remorso. Mas, assim que atinjo ele, sinto uma dor infernal nas costas. Olho para trás e despejo todo o pente no cara que acabou de me acertar. — Filho da puta!
Me arrasto até a porta, sentindo uma dor forte no peito. Entro no carro e começo a dirigir, mas minha visão vai ficando turva aos poucos. Acabo parando no meio da estrada e saio do carro, encostando as costas na lataria. Olho para cima, pedindo a Deus um anjo para me salvar antes que eu morra. Até um farol alto iluminar a estrada. E, de lá, uma mulher vestida de branco se aproximar de mim, parecendo até que ela é o anjo que pedi para Deus. Não aguentando mais, acabo desmaiando.
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Quando desperto, não sinto mais dor no lugar onde fui ferido, mas, assim que tento me sentar, uma pontada forte atravessa minhas costas, me fazendo soltar um resmungo baixo. Olho ao redor e percebo que estou em uma casa de madeira que parece abandonada, simples, antiga, mas estranhamente limpa. As toalhas sobre a cama estão impecáveis, como se aquele fosse o único canto realmente cuidado dali.
— Que bom que acordou, vou te dar um analgésico para a dor.
Viro o rosto na direção da voz e encontro a mulher vestida de branco se aproximando de mim, segurando uma garrafa rosa e um comprimido na mão.
— Teve muita sorte hoje, senhor. Saí atrasada do trabalho e encontrei você ali na estrada. Normalmente eu passo uma hora antes, teria morrido se tivesse ficado lá. Teve sorte também dessa casa aqui está perto de onde você foi ferido, e que eu tinha toalhas limpas no meio carro, ou já era. — Pego o comprimido da mão dela, ainda tentando entender onde estou.
— Você é médica? — Ela nega com a cabeça e dá um pequeno sorriso.
— Sou enfermeira, mas presto atenção nas médicas do meu trabalho. Eu não deveria ter feito aquele procedimento em você, mas não estava aguentando ir até um hospital, estava perdendo muito sangue. Agora descansa. Vou deixar alguns remédios, água e um lanche aqui para você e depois vou para casa. Antes de ir para o trabalho amanhã, volto para ver como está. — Franzo a testa, sem gostar nem um pouco da ideia dela ir embora.
— Por que não fica aqui comigo? — Ela cruza os braços e arqueia uma sobrancelha, como se eu tivesse feito uma pergunta óbvia demais.
— Porque você já está fora de perigo. Mas, se estiver com medo, posso te levar para um hospital e te deixar lá. Só que, como você foi baleado, eles vão ser obrigados a chamar a polícia e, como tem pólvora na sua mão, acho que não seria uma boa ideia, não é? — Além de anjo, ela é inteligente. Concordo em silêncio, apenas observando enquanto ela arruma tudo antes de sair.
— Espera... como você se chama? — Ela olha por cima do ombro e me responde.
— Lorena Sales. E você?
— Ravi. — Não digo o meu sobrenome para não assustá-la. — Nos veremos de novo, enfermeira.
— Se você ainda estiver aqui amanhã, pode ser que sim. — Ela dá tchau com a mão antes de sair pela porta.
Como o lanche que ela deixou para mim, tomo os remédios e, depois de um tempo, saio da casa. Meu corpo está enfaixado e, preciso admitir, ela fez um belo trabalho. E o mais impressionante: fez tudo sozinha e ainda foi discreta. É exatamente esse tipo de mulher que eu quero na minha vida.
Além de inteligente e cuidadosa, é bonita pra caralho. Atraente de um jeito perigoso, daqueles que mexem com a cabeça de um homem. E ela conseguiu mexer comigo como nenhuma outra mulher conseguiu até hoje. Começo a caminhar até uma avenida e, depois de alguns minutos, um dos meus seguranças finalmente me encontra.
Entro no carro e mando me levarem para casa. Assim que chego, abro meu computador e pesquiso sobre Lorena Sales. Meu mundo praticamente desaba quando vejo que ela é casada. Mas nem tudo está perdido. O lado bom é que ela está com um zé-ninguém, e homens como ele costumam ter um apetite enorme por dinheiro.
Agora eu só preciso colocar meu cassino no caminho dele. Talvez algum conhecido que já frequente o lugar possa sugerir uma visita. Vou deixar ele ganhar um pouco primeiro, fazer ele sentir o gosto da sorte, depois puxo o tapete sem que perceba.
E a cartada final será simples: a vida dele ou a bela esposa. Ele vai ter que escolher, e eu sei qual escolha vai fazer, ele vai me entregar a mulher dele, porque eu sou o homem que Lorena merece, não um borrador de botas fracassado como aquele pobretão.
Ravi,
Sete dias foi o que precisei para trazer ele até mim e viciar ele nos jogos. Ele vem todos os dias, sai daqui com uma bolada de dinheiro, mas com certeza já gastou tudo. Não investiu nada, porque, se continua voltando, é porque não conseguiu fazer o dinheiro render.
Como sempre, fico observando pelo vidro da minha sala até ele aparecer, mas dessa vez vou ver ele jogar de perto e assistir a sua derrota com os meus próprios olhos. Assim que chega, desço até a mesa de pôquer e me sento em uma banqueta, esperando por ele. Não demora muito para ele se aproximar e sentar na minha frente.
As cartas são dadas a nós dois, e ergo a cabeça, observando bem a sua expressão. Ele dá um leve sorriso, o que indica que está com um bom jogo. Mas uma coisa que todos precisam saber é que a mão do dono do cassino sempre é a melhor, por isso a banca sempre vence.
— Quero aumentar a minha aposta. — Ele coloca cinco fichas pretas sobre a mesa.
— Tudo bem, eu dobro. — Coloco duas fichas roxas, equivalentes ao dobro do valor da aposta dele. — Vai pra cima ou corre?
— Não sou homem de correr, não. — Ele deita as cartas sobre a mesa, sorrindo como se já pudesse sentir o gosto da vitória. — Full house. Reis com damas.
Todos ao redor começam a murmurar, afinal, é uma jogada forte.
— Bonito. — Empurro minha cadeira um pouco para trás. — Mas não bonito o suficiente.
Viro minhas cartas lentamente sobre o feltro verde, e o sorriso dele vai morrendo aos poucos. Ele não fala nada, apenas observa em silêncio os meus quatro ases brilhando sobre a mesa.
Ele olha para a pilha de fichas no centro da mesa, e eu espero ele fazer alguma besteira, mas o cara fica completamente imóvel. Acho que não esperava perder essa noite. Depois de um tempo, deixando ele encarar tudo o que perdeu, inclino meu corpo para frente e recolho as fichas, trazendo tudo para perto de mim.
— Você devia ter corrido. — O dealer empurra toda a montanha de fichas na minha direção e, assim, o dono do cassino continuava provando uma regra simples: a casa nunca perde.
— Eu quero uma revanche.
Sorrio e coloco duas fichas roxas no centro da mesa. Ele coloca as dele também e o jogo recomeça.
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O cara sai do cassino revoltado por não ter ganhado nenhuma partida hoje e, pior ainda, fez dívida comigo, pegando dinheiro emprestado com a promessa de que, se ganhasse, me pagaria. Mas, quanto mais jogava, mais enrolado ficava.
Saio da mesa com uma vitória parcialmente ganha, porque sei que amanhã ele vai voltar tentando recuperar tudo o que perdeu e eu vou afundar ele cada vez mais.
— Don, isso foi cruel. Ele vai ter que vender alguma coisa de casa para te pagar.
— Que venda. Eu dei chances para ele desistir, mas ele insistiu querendo jogar de novo. Amanhã não vou jogar com ele, será você, e vai fazer exatamente a mesma coisa. Quero ele me devendo até a alma.
— Ok, mas o que pretende com isso? Ele te fez alguma coisa?
— Sim, entrou onde não devia. Agora preciso tirar ele do meu caminho, mas não quero me sujar com o sangue dele, porque quero que ele mesmo me entregue o que me pertence. Agora vai, ainda tem muito trabalho. Chega de ficar de papinho. — Ele sai, e eu me sento à mesa com um sorriso no rosto, sabendo que logo vou conseguir o que eu mais quero.
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Três dias depois, Jorge Sales está me devendo até às pragas do cu, e chegou a hora de cobrar. Ele ainda não entendeu que não vai ganhar mais nada e, mesmo assim, continua vindo todas as noites tentar recuperar alguma coisa. Já perdeu na mesa de pôquer, no Blackjack e até nas máquinas de Halloween. Me aproximo da mesa de pôquer, onde ele está parado ao lado de um jogador, e olho bem para ele.
— Não tenho dinheiro para jogar, pode me emprestar mais um pouco?
— De novo? — Dou um sorriso sem graça para ele. — Você já está me devendo quinhentos mil dólares de empréstimo e não tem como pagar. Já puxei a sua ficha e você mal ganha miil dólares por mês. Como pretende quitar essa dívida? — Ele arregala os olhos para mim e depois olha para os lados, claramente nervoso. — É isso mesmo, eu sou o dono daqui e quero o meu dinheiro.
— Eu... eu vou vender a minha casa e te trago o dinheiro...
— Sua casa vale, no máximo, duzentos e cinquenta mil. Ainda vai ficar me devendo metade. Como pretende pagar o restante? — Ele fica branco, completamente sem resposta. — Venha até a minha sala. Vou te dar algumas alternativas.
Chamo dois seguranças para virem junto comigo, e seguimos para a minha sala. Peço para ele se sentar na cadeira, coloco uma dose de uísque para mim e me acomodo na minha poltrona, observando cada movimento dele.
— O que o senhor quer? — ele pergunta visivelmente com medo. Dá até para ver as mãos tremendo.
— Você tem três escolhas. A primeira: vai trabalhar de graça para mim aqui no cassino, sem descanso para nada. Vai ter, no máximo, três horas por dia para dormir e nada mais. Isso por dez anos, afinal, são quinhentos mil dólares, e a dívida ainda está correndo juros por falta de pagamento. A segunda: eu te mato em uma clínica de transplante de órgãos e vendo tudo o que puder ser aproveitado de você até quitar a sua dívida. Ou... — Faço outra pausa, sorrindo para ele, e tomo um gole do uísque.
— Ou o quê? Qual é a minha terceira opção?
— A sua linda esposa. — Ele arregala os olhos na mesma hora e nega com a cabeça. — Quero que entregue ela para mim e se divorcie. Lorena Sales será minha para sempre e, em troca, eu te livro da dívida que tem comigo. Ainda te dou um milhão de dólares para começar uma vida nova onde quiser.
— Como você conhece a minha esposa?
— Como eu disse, pesquisei sobre a sua vida e vi algumas fotos dela. Me interessei. — Giro o copo de uísque entre os dedos. — Acha que ela não vale um milhão e meio de dólares?
Ele abaixa a cabeça, completamente sem reação. Mas, em qualquer uma das opções que ele escolher, eu ganho a Lorena. Só que ele mesmo trazê-la para mim seria muito melhor.
— Então, você só sai daqui hoje com uma resposta. Se escolher a terceira opção, vai para casa acompanhado por dois dos meus seguranças, e eles vão trazer ela para mim junto com você. Se escolher a primeira, começa a trabalhar ainda hoje. E, se escolher a segunda... — dou um pequeno sorriso — vai direto para a clínica. — Inclino o corpo para frente e apoio os braços na mesa. — Qual vai ser a sua escolha, senhor Sales?
Lorena Sales,
Me casei com o Jorge porque amava muito ele, mas o problema do casamento é que só depois que casamos começamos a enxergar os defeitos da pessoa. Enquanto eu me mato de trabalhar no hospital para ajudar a manter a casa, Jorge trabalha meio período e passa o resto da tarde em um cassino. Esse vício começou há poucos dias, mas ele sempre apostou em jogos de futebol e corridas de cavalos.
Teve dias em que ele chegou em casa com dinheiro, mas ultimamente comecei a perceber que algumas coisas estavam sumindo, principalmente os presentes que ganho das minhas pacientes. Algumas pulseiras, brincos e até correntes já não estão mais no armário onde sempre guardo minhas coisas. E, quando pergunto se ele viu, diz que não mexe nas minhas coisas.
Mas, em uma casa onde só moram duas pessoas, como as coisas simplesmente somem?
Cansada de brigar com ele por causa disso, acabei parando de aceitar presentes das pacientes e, estranhamente, as coisas pararam de sumir. Até que um dia ele chega em casa bem nervoso, parecendo um viciado procurando algo para vender e sustentar o próprio vício.
— Você recebeu hoje, não foi, Lorena?
— Sim, mas já passei no banco e paguei as contas. Espero que você tenha pago a conta de luz, que era sua obrigação. Amanhã temos que ir ao mercado. Quanto você tem para fazer as compras?
— Não tenho nada. Se sobrou alguma coisa aí, me dá, preciso comprar uns negócios.
— Nunca que vou te dar dinheiro meu. Não faço plantão de vinte e quatro horas para te sustentar. Pago as contas da casa porque moro aqui e não quero ficar sem as necessidades básicas, mas dinheiro para você? Nem um dólar sequer.
Ele sorri e balança a cabeça em negação, como se não tivesse gostado nem um pouco da minha resposta. Então ele sai de casa sem falar nada. Já vi que as compras desse mês vou ter que fazer sozinha, porque não dá para ficar em uma casa sem comida. Pego as chaves do carro e vou direto ao mercado. Pelo menos, se eu gastar meu dinheiro com as compras, ele não vai ficar me enchendo o saco pedindo emprestado.
Jorge é um bom homem, o problema é esse vício maldito que está acabando com a reputação dele. Pego só o necessário, tentando economizar o máximo possível, mas ainda levando comida suficiente para durar o mês inteiro. Depois volto para casa. Assim que chego, coloco as compras em cima da mesa e começo a guardar tudo no seu devido lugar, Jorge chega acompanhado de dois homens de terno e gravata, que ficam parados na porta de entrada.
— Lorena, eu sinto muito. Você sabe o quanto eu te amo, não sabe? — Franzo a testa na mesma hora.
— Por que está falando isso, Jorge? O que está acontecendo? Quem são eles?
— Você precisa vir comigo. Preciso que me entenda e me perdoe. — Os dois homens entram na minha casa sem sequer serem convidados, ficando um de cada lado meu. Olho para Jorge, já sentindo um aperto estranho no peito, tentando entender a situação, e o que foi que ele aprontou.
— Que merda você fez agora, seu idiota? — Ele fecha os olhos, e um dos caras segura meu braço. Puxo com força, me soltando do toque dele. — Não encosta em mim, seu imbecil. Eu não devo nada para vocês e não vou a lugar nenhum. Se ele está devendo alguma coisa, ele que pague.
— Eles vão me matar se você não vier, Lorena. Vão me levar para uma clínica, arrancar meus órgãos e vender tudo. Me ajuda, por favor?
O outro homem dá um passo na minha direção, mas estendo a mão, fazendo ele parar. Então começo a caminhar até a porta, e todos vêm atrás de mim. Entramos no carro preto e, poucos minutos depois, chegamos a um cassino enorme. Descemos os quatro e seguimos até uma escada. Um dos seguranças barra a passagem do Jorge, dizendo que o don quer falar apenas comigo.
Subo acompanhada pelo outro homem e, assim que a porta se abre, me deparo com uma sala enorme, cheia de vidros que vão do teto ao chão. O dono está sentado na cadeira, mas de costas para a porta, virado para uma estante cheia de livros.
— Nos deixe a sós, um. — O segurança sai, fechando a porta atrás de si. Olho para trás por um instante e depois caminho devagar até parar em frente à mesa. Ele gira a cadeira lentamente, ficando de frente para mim. Meu coração falha uma batida, é o cara que eu salvei no meio da estrada de terra.
— Oi, Lorena. Quanto tempo, não?
— Você? Por que mandou me trazer aqui?
— Seu marido não te contou? — Nego com a cabeça e vejo ele revirar os olhos. Ele se estica para pegar um aparelho sobre a mesa e fala: — Traga ele aqui, porque deveria ter contado a verdade para ela.
O cara responde com um “sim, senhor” e, depois de alguns minutos, a porta se abre. Jorge entra quase caindo, tropeçando no tapete. Ele se aproxima de mim com um olhar cheio de culpa, e percebo que está tremendo inteiro.
— Você é safado mesmo, não é? — Ravi fala, olhando para ele. — Conta para ela o que está acontecendo, porque não vou sair como o vilão dessa história.
— Lorena, me perdoa, por favor... — Lá vem ele com desculpas de novo, e isso já está começando a me irritar. — Estou devendo quinhentos mil dólares para ele e me deram três opções: trabalhar aqui por dez anos, com apenas três horas de descanso, vender meus órgãos ou... ou entregar você para quitar a dívida. — Olho para ele sem acreditar no que estou ouvindo.
— E você escolheu me trazer aqui como se eu fosse uma propriedade sua? Não é porque sou sua esposa que você é meu dono. Quando resolveu vir para cá, você não me perguntou se eu deixaria você vim ou não, então por que acha que vou aceitar ficar aqui para pagar uma dívida que nem minha é?
— Você prefere me ver morto?
— Tem a opção de trabalhar. Aproveita bem as três horas que vai ter para dormir e se vira com os seus problemas. Eu me mato naquele hospital e você nunca deu valor a nada do que faço, então por que acha que vou fazer isso por você agora? Te vira. — Me viro para sair, mas, assim que giro a maçaneta, percebo que a porta está trancada. — Pede para abrir, porque eu vou embora.
— Infelizmente não é assim que funciona, Lorena. — Ele fala, se levantando da cadeira. — Eu e seu marido já fechamos um acordo e, a partir de hoje, você é minha!
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