Eu me chamo Maria Vitória.
Mas ninguém me chama assim.
É sempre “Mavi”.
Tenho 17 anos… e, sendo sincera, às vezes parece que eu vivi muito mais do que isso.
Eu moro com a minha mãe. E… por mais que seja difícil admitir, ela é a única pessoa que eu tenho. Mesmo sendo do jeito que é.
Minha mãe, Melissa, não é como as mães das outras meninas. Ela não pergunta como foi meu dia, não se preocupa se eu comi, nem percebe quando eu choro. Na verdade, ela quase nunca percebe nada que não envolva ela mesma.
Às vezes eu fico tentando lembrar se algum dia foi diferente… mas acho que não.
E mesmo assim… ela ainda é a única que ficou.
Porque o meu pai foi embora.
Pelo menos é isso que eu sempre pensei.
Eu cresci ouvindo que ele era ocupado demais, que tinha coisas mais importantes pra fazer do que me ver. Que eu não podia incomodar. Que eu precisava entender.
Mas eu era só uma criança.
Eu lembro… eu lembro de quando tinha 10 anos.
Eu ficava sentada no chão da sala, abraçando meus joelhos, olhando pro celular na mão da minha mãe.
— Mãe… liga pro papai, por favor…
Minha voz saía baixinha, como se eu já soubesse que tava pedindo demais.
Ela revirava os olhos, claramente irritada, mas ligava mesmo assim.
Eu ficava em silêncio, o coração batendo tão forte que parecia que ia sair pela boca.
E então ela dizia:
— Ele tá ocupado, Mavi.
Sempre ocupado.
Sempre uma desculpa diferente… mas o mesmo resultado.
Eu aceitava. Porque… o que mais eu podia fazer?
Eu também escrevia cartas.
Cartinhas bobas… contando do meu dia, da escola, dizendo que sentia saudade. Desenhava corações, fazia questão de caprichar na letra, achando que isso faria ele querer me ver.
Eu nunca soube se ele leu.
A gente até se via… às vezes.
Mas conforme eu fui crescendo… essas vezes começaram a diminuir.
Até que… simplesmente pararam.
E ele também parou de ir atrás de mim.
Ou pelo menos… foi o que pareceu.
Minha mãe começou a fazer outra coisa também.
Ela me obrigava a mandar áudios pra ele.
— Pede dinheiro.
— Diz que não quer ver ele.
Eu travava.
Eu sabia que aquilo era errado. Eu sentia no fundo do peito, como um aperto que não passava.
Mas eu fazia.
Porque se eu não fizesse…
Ela me batia.
E não era só isso.
Tudo piorou quando ela começou a namorar.
Ele veio com uma filha.
E, de repente… eu deixei de existir.
O quarto que era meu virou da menina.
Minhas coisas foram jogadas num canto.
Minhas roupas começaram a sumir.
Minha comida… também.
O dinheiro que meu pai mandava… nunca chegava até mim.
Era roupa pra filha dele.
Passeio pra eles.
Jantar pra eles.
E eu… só assistia.
Ou melhor… eu fingia que não me importava.
Porque era mais fácil assim.
O padrasto… ele nunca precisou levantar a mão.
Era pior.
Ele simplesmente me ignorava… ou me deixava sem comer quando tava irritado.
E minha mãe?
Ela só assistia.
Ou fingia que não via.
Eu aprendi a ficar quieta.
Aprendi a não responder.
Aprendi a me esconder dentro de mim mesma.
Tem dias que eu não sinto nada.
Outros… eu sinto tudo de uma vez.
E dói.
Dói pensar que… talvez eu realmente não tenha sido suficiente.
Que talvez… ele só tenha cansado de mim.
Principalmente depois que ele se casou de novo.
Eu lembro do dia que minha mãe comentou isso, como se não fosse nada.
— Ele casou. Agora tem outra família.
Outra família.
Como se eu não fosse parte dela.
Como se eu nunca tivesse sido.
Eu também sei que ele já tinha dois filhos antes.
Filhos de um casamento antigo.
E eu fico pensando…
Será que ele é um bom pai pra eles?
Será que ele ri com eles?
Será que ele aparece?
Porque pra mim… ele parou de aparecer.
Parou de tentar.
Parou de tudo.
E eu fiquei.
Aqui.
Sozinha.
Mesmo não estando sozinha de verdade.
Porque solidão não é sobre estar sem pessoas.
É sobre não ter ninguém.
Eu tô sentada no chão agora.
O mesmo tipo de chão de anos atrás.
Abraçando minhas pernas, tentando não fazer barulho.
Lá fora, eu consigo ouvir risadas.
Deles.
Sempre deles.
Eu levo a mão até o rosto e sinto as lágrimas antes mesmo de perceber que comecei a chorar.
Eu não faço som.
Nunca faço.
Aprendi que chorar em silêncio dói menos… ou pelo menos não piora as coisas.
Eu só queria entender…
Por que ele foi embora?
Por que ele não voltou?
Por que ele não insistiu?
Porque… mesmo depois de tudo…
Mesmo depois dos áudios…
Mesmo depois das mentiras…
Uma parte de mim ainda queria que ele tivesse vindo me buscar.
Só uma vez.
Só o suficiente pra provar que eu importava.
Mas ele não veio.
E agora…
Eu acho que ninguém vai vir.
Porque no fim…
Eu sou só a garota que ficou.
Eu nunca gostei da escola.
Não é por causa das matérias… na verdade, eu até gosto de estudar. Ler é uma das únicas coisas que me faz esquecer, mesmo que por alguns minutos, de tudo que acontece fora das páginas.
O problema são as pessoas.
Na escola, eu sou “a esquisita”.
A garota que senta no fundo da sala, que não conversa, que sempre está com um livro nas mãos e que ninguém faz questão de conhecer.
E, sinceramente… eu já me acostumei com isso.
É mais fácil ser invisível do que ser notada pelos motivos errados.
— Olha lá, a órfã de pai.
A voz me faz fechar os olhos por um segundo antes de levantar o olhar.
Claro.
Ela.
A filha do padrasto.
Sempre com aquele sorriso debochado, cercada por duas meninas que riem de tudo que ela fala, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo.
— Tá lendo o quê agora, Mavi? Livro de gente triste combina com você.
Eu não respondo.
Nunca respondo.
Aprendi que qualquer reação minha só piora as coisas.
Mas isso não impede.
Nunca impede.
— Aposto que ela lê porque ninguém quer falar com ela — uma das amigas dela comenta, rindo.
— Ou porque o pai abandonou e ela precisa fingir que vive outra vida — ela completa, cruzando os braços.
Aquilo… dói.
Mas eu não demonstro.
Eu só abaixo o olhar e viro a página, mesmo sem realmente ler.
Porque, no fundo… uma parte de mim acredita.
A aula passa devagar.
Como sempre.
E quando o sinal finalmente toca, eu sou uma das primeiras a sair.
Não porque estou animada pra ir embora… mas porque eu só quero fugir dali.
Do lado de fora, eu vejo ela entrando no carro.
O mesmo carro que a minha mãe deu pro pai dela.
Ela nem olha pra trás.
Nem precisa.
Ela sabe que ganhou.
Eu ajusto a mochila nas costas e começo a andar.
A pé.
O caminho até casa é longo… mas eu já me acostumei.
É o único momento do dia em que ninguém fala comigo.
E, por mais estranho que pareça… isso é um alívio.
Quando chego em casa, tudo está em silêncio.
Como sempre.
Eu deixo a mochila no canto e vou direto pro banho.
A água quente escorrendo pelo meu corpo é uma das poucas coisas que me fazem relaxar de verdade.
Por alguns minutos… eu consigo fingir que tá tudo bem.
Que eu não sou invisível.
Que eu não sou descartável.
Quando saio do banheiro, meu corpo está pesado.
Cansado.
Mais do que deveria.
Eu deito na cama só por um instante…
Só pra descansar.
Só por alguns minutos.
Mas minha cabeça não para.
Eu começo a pensar…
No carro.
No celular novo.
Nas roupas.
Tudo que a minha mãe dá pra eles.
Tudo que vem do dinheiro que deveria ser… meu.
E eu?
Eu tenho que implorar por coisas básicas.
Um nó se forma na minha garganta.
E, sem perceber…
Eu durmo.
Quando eu acordo, o desespero vem antes mesmo de abrir completamente os olhos.
A casa.
Eu tinha que limpar a casa.
Eu levanto rápido demais, quase tropeçando, o coração disparado.
Mas antes mesmo de eu conseguir sair do quarto…
A porta se abre com força.
— Maria Vitória!
O tom da minha mãe já diz tudo.
— Você não fez NADA?!
Eu travo.
— Eu… eu dormi sem querer…
— Inútil! — ela grita, me interrompendo. — Você não faz uma coisa certa!
Alguma coisa dentro de mim… quebra.
Eu sinto.
É como se algo que eu venho segurando há anos simplesmente não aguentasse mais.
— Eu não sou sua empregada! — minha voz sai mais alta do que eu esperava. — Você me trata como se eu não fosse nada!
Ela me olha, surpresa.
Mas eu não paro.
Não dessa vez.
— Você dá tudo praquele homem e pra filha dele! Tudo! Com o dinheiro que é do meu pai! E eu fico aqui, como se fosse um lixo!
O silêncio que vem depois é pesado.
Perigoso.
Eu sei.
Mas já é tarde demais.
O tapa vem rápido.
Meu rosto vira com o impacto.
O som ecoa no quarto.
— Cala a boca — ela diz, fria. — E limpa essa casa. A gente vai sair pra jantar… e quando eu voltar, eu quero tudo impecável.
Eu não respondo.
Não consigo.
Eu só fico ali, parada, sentindo o rosto queimar enquanto as lágrimas começam a cair.
Ela sai como se nada tivesse acontecido.
Como se eu fosse… nada.
Eu espero.
Espero ouvir a porta bater.
Espero o silêncio voltar.
E então…
Eu desabo.
Eu choro como não chorava há muito tempo.
Sem segurar.
Sem esconder.
Quando finalmente consigo parar, meus olhos caem na mochila jogada no canto.
E um pensamento surge.
Fugir.
Eu levanto devagar.
Pego algumas roupas.
Coloco dentro da mochila.
Alguns docinhos que eu escondi.
Minhas poucas coisas.
Mas então…
Eu paro.
Pra onde eu iria?
Eu não tenho ninguém.
Ninguém.
O vazio no meu peito aumenta.
Mas mesmo assim…
Eu continuo.
Porque ficar também dói.
Eu saio do quarto e vou até o quarto da minha mãe.
Eu ainda preciso limpar.
Eu sempre preciso.
Enquanto organizo as coisas, meu olhar cai em uma gaveta.
Eu nunca mexi nela.
Nunca tive coragem.
Mas hoje…
Hoje parece diferente.
Minhas mãos tremem quando eu puxo.
E então…
Eu vejo.
Cartas.
Várias.
Meu coração dispara.
Eu reconheceria aquelas folhas em qualquer lugar.
Porque fui eu que escrevi.
Uma por uma.
Minhas cartas.
Pro meu pai.
Pro… Domenico Bittencourt.
Minha respiração falha.
Eu começo a abrir, uma após a outra.
Todas ali.
Intactas.
Nunca enviadas.
Nunca lidas.
Nunca… entregues.
Minhas mãos começam a tremer mais forte.
Não…
Não pode ser.
Todos esses anos…
Todas as vezes que eu esperei uma resposta…
Ele nunca recebeu.
As lágrimas voltam com força.
Mas agora… é diferente.
É raiva.
Dor.
Traição.
Ela mentiu.
Minha mãe mentiu.
A vida inteira.
Eu continuo mexendo na gaveta, desesperada.
E então…
Eu encontro.
Um papel.
Um número.
Meu coração dispara ainda mais.
Eu não penso.
Eu corro.
Desço as escadas quase tropeçando.
Minhas mãos tremem enquanto eu pego o telefone fixo.
Eu digito o número.
Um por um.
Meu dedo hesita no último.
Mas eu aperto.
O telefone começa a chamar.
Uma vez.
Duas.
Três.
Meu coração parece que vai sair pela boca.
E então…
Eu desligo.
Não.
Eu não posso.
Eu não sei o que dizer.
Eu não sei se ele vai atender.
Eu não sei se ele vai me reconhecer.
Eu não sei se…
Se ele me quer.
Eu fico parada ali, olhando pro telefone.
Respirando rápido.
Pensando.
Sentindo.
E então…
Eu fecho os olhos.
E ligo de novo.
Dessa vez… eu não desligo.
O telefone chama.
E chama.
E chama.
Até que…
— Alô?
Minha respiração para.
A voz dele.
Depois de todos esses anos…
Eu reconheceria em qualquer lugar.
E, pela primeira vez…
Eu não sei o que dizer.
Visão de Domenico
Meu nome é Domenico Bittencourt.
Tenho 40 anos.
E, se tem uma coisa que eu aprendi ao longo da vida… é que você pode ter tudo — dinheiro, status, estabilidade — e ainda assim carregar um vazio que nunca vai embora.
Eu tenho três filhos.
Davi, de 20 anos.
Day, de 19.
Meus dois pilares.
Os dois vieram do meu primeiro casamento… com a mulher que eu achei que fosse amar pelo resto da minha vida.
E eu amei.
Intensamente.
Perdidamente.
Mas a vida… não pergunta se você está pronto pra perder alguém.
Ela simplesmente tira.
Minha esposa morreu no parto da Day.
E eu morri junto naquele dia.
Pelo menos… uma parte de mim.
Eu lembro do hospital, do silêncio, do médico falando alguma coisa que eu não consegui processar… e dos meus filhos.
Pequenos.
Confusos.
Precisando de mim.
Então eu fiz a única coisa que podia fazer.
Eu continuei.
Por eles.
Eu me obriguei a levantar todos os dias, a trabalhar, a cuidar deles, a ser forte… mesmo quando tudo dentro de mim estava quebrado.
E, com o tempo… a dor deixou de ser um grito e virou um peso constante.
Mas nunca sumiu.
Anos depois… aconteceu.
Um erro.
Uma noite.
Uma escolha impulsiva que resultou em algo que eu nunca planejei… mas que eu nunca me arrependi.
Maria Vitória.
Minha Mavi.
Ela tem 17 anos.
E, mesmo tendo vindo de um momento completamente errado… ela nunca foi um erro pra mim.
Nunca.
Eu amei ela desde o instante em que soube que existia.
Mas nem sempre amar é o suficiente.
No começo… eu via ela.
Sempre que podia.
Eu lembro de uma garotinha pequena, de olhos grandes, que me olhava como se eu fosse o mundo inteiro.
E talvez… eu fosse.
Mas então…
As coisas começaram a mudar.
Eu ia buscar ela… e a mãe, Melissa, dizia que ela não queria me ver.
No início, eu não acreditei.
Insisti.
Voltei outras vezes.
Mas a resposta era sempre a mesma.
— Ela não quer ir.
Até que começaram os áudios.
A voz dela…
Fria.
Distante.
Dizendo que não queria me ver.
Pedindo pra eu não procurar.
Ou… pedindo dinheiro.
Aquilo… me destruía.
Porque não parecia ela.
Nunca pareceu.
Mas… o que eu podia fazer?
Forçar?
Invadir?
Eu não queria machucar ainda mais.
Então… eu me afastei.
Contra tudo dentro de mim.
Mas nunca deixei de cuidar.
Todo mês… eu mandava dinheiro.
Mais do que o necessário.
Eu queria garantir que ela tivesse tudo.
Mesmo que não tivesse… a mim.
E ainda assim… alguma coisa sempre pareceu errada.
Como se tivesse algo que eu não estava vendo.
Mas eu ignorei.
E esse… foi o meu maior erro.
Depois de um tempo… eu achei que nunca mais seria capaz de amar alguém de novo.
Até conhecer a Priscila.
Ela entrou na minha vida devagar… sem forçar nada… e quando eu percebi… eu já estava vivendo de novo.
Eu amo ela.
De um jeito diferente.
Mais calmo… mais maduro.
E ela ama meus filhos.
Os três.
Mesmo sem nunca ter conhecido uma deles.
Mavi.
Eu estou na sala agora.
Noite.
Davi e Day estão comigo, jogando cartas.
Priscila sentada ao meu lado, sorrindo, implicando com Davi por ele estar trapaceando.
É um momento simples.
Mas é… paz.
Uma paz que eu lutei muito pra construir.
Até o meu celular tocar.
Eu franzo a testa, olhando pro número desconhecido.
Levanto pra atender…
Mas a ligação cai antes.
— Quem era? — Davi pergunta, jogando uma carta na mesa.
— Não sei — respondo, ainda olhando pra tela.
Minutos depois…
Toca de novo.
Dessa vez, eu atendo.
— Alô?
Silêncio.
Meu coração aperta.
E então…
— Pai…?
A minha respiração falha.
Aquilo…
Aquilo não pode ser.
Mas é.
Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
Mesmo quebrada.
Mesmo chorosa.
— Mavi?
Meu corpo inteiro fica em alerta.
— O que houve, filha? Você tá bem?
Minha voz sai rápida, carregada de preocupação.
Eu já estou andando pela sala sem perceber.
Do outro lado… eu escuto ela chorar.
E cada som… parece um soco no meu peito.
— Pai… eu…
Ela tenta falar, mas a voz falha.
Eu sinto o desespero crescendo dentro de mim.
— Mavi, respira. Fala comigo. O que aconteceu?
Davi e Day já não estão mais jogando.
Eles me olham.
Sérios.
Desconfiados.
Eles sabem.
Eles ouviram.
E eles não gostam disso.
Não gostam dela.
Porque, na cabeça deles… ela foi embora.
Porque eles viram o quanto aquilo me afetou.
Eu aperto o botão e coloco no viva-voz.
Se eles vão ouvir… então vão ouvir tudo.
E então…
Ela fala.
Tudo.
Cada palavra.
Cada dor.
Cada coisa que eu não vi.
O padrasto.
A fome.
As humilhações.
As mentiras.
As cartas.
As cartas que nunca chegaram até mim.
Eu sinto como se o chão tivesse sido arrancado dos meus pés.
Eu… não fazia ideia.
E isso… é imperdoável.
Quando ela começa a implorar por ajuda…
Algo dentro de mim se quebra de vez.
— Eu tô indo — eu digo, firme. — Me fala onde você tá.
Ela responde entre lágrimas.
Eu não perco mais tempo.
Desligo.
Pego a chave.
— Você não vai fazer isso — Day fala, se levantando.
— Pai, ela só liga quando precisa de dinheiro — Davi completa, duro. — Você vai cair nisso de novo?
Eu paro.
Viro lentamente pra eles.
E, pela primeira vez…
Eu sinto raiva.
— Ela é minha filha.
Minha voz sai baixa.
Mas pesada.
— E eu não virei as costas pra vocês… e não vou virar pra ela.
O silêncio toma conta da sala.
Eles não respondem.
Mas também não concordam.
Priscila se levanta.
Caminha até mim.
Coloca a mão no meu braço.
— Vai — ela diz, suave… mas firme. — Vai buscar sua filha.
Eu olho pra ela.
E, naquele momento… eu sei.
Eu não vou perder a Mavi de novo.
Nunca mais.
Para mais, baixe o APP de MangaToon!