Sinopse
Ele comandava um império com mãos de ferro. Mas destruiu o próprio lar sem saber que estava abrindo mão do seu maior tesouro.
Para o mundo corporativo de São Paulo, Miguel Matarazzo, 28 anos, é o implacável CEO do império cervejeiro da família. Mas, entre quatro paredes, ele parecia ter apenas uma fraqueza: Beatriz, sua esposa há cinco anos. Para ela, ele era o marido perfeito, protetor e intensamente apaixonado. Até que o poder e os segredos começaram a afastar o homem romântico, dando lugar a um desconhecido frio.
Beatriz Fontoura, 24 anos, é uma advogada brilhante que orgulha-se de trilhar o próprio caminho. Ela acreditava que sua vida estava completa, até que o topo do seu mundo desabou no dia que deveria ser o mais feliz da sua existência. Com o exame que confirmava a gravidez nas mãos, ela flagrou a pior das traições.
Beatriz juntou os pedaços do seu coração, e desapareceu da vida dele sem deixar rastros.
Anos depois, o destino decide virar as cartas do jogo.
Beatriz não é mais a jovem vulnerável do passado. Ela reconstruiu sua carreira em outro país, aprendeu a ser mãe solo e protege com unhas e dentes os dois meninos que carregam os traços idênticos do homem que a destruiu. O que ela não esperava era que o passado bateria à sua porta.
Quando o implacável CEO finalmente a reencontra, o choque de realidade é brutal. Miguel descobre que não perdeu apenas a única mulher que amou de verdade… mas também os primeiros anos de vida dos próprios filhos.
Ele fará de tudo por redenção. Ela jogará tudo para manter sua distância. Quem vencerá esse embate onde o orgulho, a mágoa e um amor inacabado estão em disputa?
PRÓLOGO
** Beatriz**
O som de risadas ecoa pelo jardim da nossa casa em São Paulo, o indicador perfeito de que o almoço de comemoração dos nossos cinco anos de casamento é um sucesso absoluto. Olho ao redor, sentindo o peito aquecido. Na mesa longa sob o pergolado, minha família e a de Miguel compartilham histórias, vinho e a leveza de um domingo ensolarado.
Meus pais conversam animadamente com os meus sogros, uma imagem de harmonia que me enche de orgulho. Meus dois irmãos mais velhos, advogados talentosos e protetores que sempre tentam manter a pose de durões, riem de alguma piada interna com suas respectivas esposas. Do outro lado, o casal de irmãos de Miguel tenta, sem muito sucesso, conter a energia dos meus três sobrinhos, que correm pelo gramado bem cuidado.
Sinto duas mãos firmes e quentes pousarem na minha cintura. Um arrepio familiar e delicioso sobe pela minha espinha antes mesmo que o perfume amadeirado dele inunde meus sentidos. Miguel.
— Você está linda hoje, meu amor — ele sussurra contra o meu ouvido, sua voz grave me fazendo sorrir instantaneamente. Seus lábios trilham um caminho suave pelo meu pescoço, depositando ali um beijo demorado que me faz esquecer, por um segundo, que estamos cercados por quase vinte pessoas.
Viro-me em seus braços, enlaçando seu pescoço. Miguel Matarazzo é o tipo de homem que comanda qualquer ambiente apenas com a sua presença. Como CEO do Grupo Matarazzo, ele lidera o império cervejeiro da família com mãos de ferro. Na empresa, onde trabalho na área jurídica, todos o temem e o respeitam. Ele está acostumado a mandar, desmandar e ter o controle absoluto de tudo.
Mas ali, olhando para mim com os olhos semicerrados de admiração, ele é apenas o meu Miguel. O homem carinhoso, protetor e intensamente apaixonado que parece me pedir em casamento todos os dias com pequenos gestos.
— Cinco anos, Bia — ele diz, o polegar acariciando minha bochecha enquanto olha no fundo dos meus olhos. — Cinco anos desde o dia em que te fiz minha esposa, e eu ainda sinto que sou o homem mais sortudo do mundo. Você é o meu porto seguro.
— Eu te amo tanto — respondo, sentindo que meu coração mal consegue guardar tanta felicidade. — Feliz aniversário de casamento, meu amor.
Ele me puxou para um beijo profundo e o resto do mundo desapareceu. Miguel tem essa intensidade que me incendeia e me passa a certeza absoluta de que, nos seus braços, estou protegida de qualquer mal. É impossível imaginar o meu mundo sem ele.
— Ei, vocês dois! Parem de namorar um pouco e venham comer! — meu irmão mais velho grita da mesa, erguendo uma taça de vinho e arrancando risadas de todos.
Miguel ri contra os meus lábios, me dá mais um selinho e caminhamos de mãos dadas até a mesa principal. Ele puxa a cadeira para mim, um cavalheirismo que nunca se perdeu com o tempo, e se senta ao meu lado, mantendo uma de suas mãos firmemente espalmada sobre a minha coxa por cima do meu vestido de linho. É o nosso toque de conexão.
A conversa flui maravilhosa, até que minha sogra, olhando com ternura para os netos que brincam no jardim, limpa a garganta e direciona o olhar para nós.
— Cinco anos de casados... Como o tempo voa — ela começa, com um sorriso que eu já sei exatamente onde vai dar. — Tudo tão lindo, uma casa maravilhosa, as carreiras de vocês consolidadas. Mas me digam, meus queridos, quando é que vou ganhar netinhos Matarazzo dessa união? A casa de vocês é grande demais para ser tão silenciosa no dia a dia.
O talher parece pesar uma tonelada na minha mão. Sinto minhas bochechas arderem instantaneamente, e um nó familiar de ansiedade aperta minha garganta. Eu quero tanto ser mãe. Venho sonhando com isso intensamente nos últimos meses, guardando esse desejo quase como um segredo precioso e doloroso a cada fim de ciclo.
Antes que eu possa formular uma resposta respeitosa para disfarçar o quanto fiquei sem graça, a voz da minha própria mãe se junta ao coro.
— É verdade, Bia. Seus irmãos já me deram netos lindos, só falta você. Não espere muito tempo, filha.
Baixo os olhos para o prato, forçando um sorriso amarelo. A cobrança, mesmo vinda de um lugar de carinho, sempre me deixa vulnerável.
É quando a mão de Miguel na minha coxa dá um aperto suave, reconfortante, e ele assume o controle da situação com a segurança habitual que eu tanto admiro.
— Mãe, tia, por favor — Miguel intervém, sua voz firme mas divertida, blindando-me imediatamente da pressão. — A Bia e eu temos os nossos planos. Estamos curtindo o nosso momento, e quando tiver que acontecer, vai acontecer. No nosso tempo. Não apressem o que já vai ser perfeito.
Minha sogra ergue as mãos em sinal de rendição, rindo, e o assunto logo muda para o desempenho das ações do grupo na bolsa, puxado pelo meu pai.
Respiro aliviada e olho para Miguel de soslaio. Ele pisca para mim, aproximando-se para sussurrar:
— Não liga para elas. Nós vamos ter a nossa família, Bia. Quantos filhos você quiser. No nosso tempo.
Eu sorrio, sentindo uma onda de gratidão e amor puro me inundar. Ele é perfeito. Nosso casamento é sólido como uma rocha.
O celular de Miguel vibra discretamente no bolso de sua bermuda. Ele puxa o aparelho sob a mesa, lê a tela rapidamente e guarda o telefone, voltando a me dar aquele sorriso arrebatador que afasta qualquer distração.
— Algum problema na fábrica? — pergunto baixinho.
— Nenhum que mude o fato de que hoje o dia é totalmente nosso, meu amor — ele responde, beijando o dorso da minha mão.
Eu encosto a cabeça em seu ombro, completamente apaixonada, convicta de que sou a mulher mais feliz do mundo e de que nada seria capaz de abalar a vida perfeita que construímos.
Mal terminei de processar o calor do seu gesto quando um par de pequenas mãos puxa o tecido da bermuda de Miguel. Olho para baixo e vejo Lucas e Matheus, os gêmeos de três anos da irmã dele. Eles são duas miniaturas enérgicas, com os mesmos cabelos castanhos da família Matarazzo.
— Tio Miga! Tio Miga! Joga a bola! — Léo pede, pulando com os pezinhos descalços na grama, enquanto Théo segura um dinossauro de plástico verde, olhando para o tio com expectativa e o olhar do Gato de botas.
Beatriz
Miguel, que na empresa é a personificação da imponência e da rigidez, se desarma por completo. O sorriso que ele abre para os sobrinhos é largo e genuíno. Ele se abaixa na altura deles, ignorando completamente o fato de estar vestindo uma roupa clara e bagunça os cabelos dos dois.
— Jogo se vocês prometerem que o primeiro gol vai ser da tia Bia — Miguel brinca, arrancando risadinhas dos meninos. Ele se levanta, me puxa pela mão e me rouba um selinho rápido antes de correr levemente atrás dos pequenos em direção ao gramado.
Fico observando a cena da mesa, com o coração flutuando. Meus irmãos fazem piada, dizendo que Miguel vai cansar antes dos meninos, mas a verdade é que ele lida com as crianças com uma naturalidade linda. Ele pega Théo no colo, fingindo que o dinossauro está voando, enquanto chuta a bola de leve para Leo. Ver o homem mais poderoso do mercado cervejeiro agachado no chão, rindo alto com duas crianças, faz meu útero implorar para que o nosso momento chegue logo. Ele vai ser um pai maravilhoso.
A brincadeira é interrompida pelo som insistente de uma buzina festiva vindo da frente da propriedade. Um barulho de música animada começa a ecoar, chamando a atenção de todos na mesa.
— Mas o que é aquilo? — minha mãe pergunta, esticando o pescoço.
Miguel caminha de volta para perto de mim, limpando as mãos de grama e ostentando um brilho misterioso no olhar. Ele passa o braço pelos meus ombros, me trazendo para perto do seu corpo.
— Vamos dar uma olhada? — ele sugere, com a voz animada.
Toda a família se levanta e o segue até a entrada principal da nossa casa. Quando os portões automáticos se abrem por completo, o meu queixo simplesmente cai.
Parado na rua, há um caminhão de transporte todo decorado com balões metalizados em tons de dourado e branco. Caixas de som nas laterais tocam uma versão instrumental sofisticada da nossa música favorita. Mas o verdadeiro espetáculo está em cima da plataforma: um Porsche Cayenne zero quilômetro, reluzente sob o sol de São Paulo, envolvido por um enorme laço de fita vermelha.
As mulheres da família soltaram exclamações de surpresa. Meus irmãos soltam assobios impressionados, e meus sogros sorriem, claramente orgulhosos da extravagância do filho.
— Miguel... — Minha voz mal saiu, meus olhos alternam entre o carro dos meus sonhos e o rosto do meu marido. — Você não fez isso.
— Cinco anos merecem um marco, Bia — ele diz, ficando de frente para mim e tirando uma caixinha de veludo preto do bolso. Ao abri-la, revela a chave do veículo com o chaveiro gravado com as nossas iniciais. — Você passa a semana inteira correndo de um lado para o outro por causa do jurídico da empresa, resolvendo os problemas que eu crio. Quero que você vá trabalhar com o conforto e a segurança que merece. Você é a rainha da minha vida, e tudo o que é meu, é seu.
Minhas lágrimas de emoção finalmente transbordam. Eu o abraço apertado, enterrando meu rosto no seu pescoço. Miguel me aperta contra o seu peito, me tirando levemente do chão enquanto a música continua a tocar ao fundo e a nossa família aplaude o momento.
Ele me afasta o suficiente apenas para colar nossas testas, limpando as lágrimas das minhas bochechas com as pontas dos polegares, com um cuidado extremo, como se eu fosse feita de cristal.
— Gostou, meu amor? — ele pergunta, a voz macia, o olhar focado exclusivamente em mim, ignorando a plateia ao redor.
— Eu amei... Mas você é completamente louco — rio entre o choro, selando nossos lábios em um beijo cheio de gratidão e paixão.
— Louco por você. Sempre — ele jura, entregando a chave na minha mão e me conduzindo até o veículo para que eu possa abrir a porta.
Sinto-me a mulher mais sortuda, amada e mimada do universo. Miguel não economiza em nada para me ver sorrir, seja em atenção, em gestos de carinho na frente de todos ou em presentes grandiosos. O mundo pode ser caótico e implacável lá fora, mas dentro dessa bolha de amor que construímos, eu tenho a certeza absoluta de que sou invencível ao lado do meu marido.
O cheiro de couro novo do Porsche Cayenne invade minhas narinas enquanto guio o carro com cuidado pelas alamedas arborizadas do nosso condomínio fechado. No banco do carona, Miguel exibe um sorriso de pura satisfação, com um dos braços apoiado na janela aberta, deixando o vento morno do final de tarde bagunçar seus cabelos. No banco de trás, a algazarra é garantida: Léo, Théo e Malu estão em pé segurando nos bancos e rindo alto.
— Vai, tia Bia! Pisa fundo! Faz o carro voar! — Léo grita, com as bochechas vermelhas de tanto correr no jardim.
— Nada de voar, mocinho. A tia Bia acabou de ganhar o brinquedo novo, temos que cuidar dele — Miguel se vira para trás, apontando o indicador para os sobrinhos fingindo rigidez, um tom que ele só usa com a família. Os meninos caem na gargalhada.
Olho para o meu marido de soslaio, aproveitando uma parada no cruzamento interno do condomínio. Meu peito se expande de tanto amor. Miguel estica o braço e pousa a mão quente na minha nuca, puxando meu rosto de leve para me dar um beijo rápido e estalado nos lábios.
— Ficou perfeito em você — ele diz, o olhar escuro e intenso fixo em mim. — Uma máquina dessas para a advogada mais brilhante de São Paulo.
— Você me mima demais, Miguel. Eu ainda não superei o caminhão de balões na nossa porta — brinco, engatando a marcha e estacionando o carro de volta na nossa garagem.
Passamos o resto da tarde cercados pelo calor da nossa família. Na varanda gourmet, servimos um café fresco acompanhado de um bolo de nozes que é a receita favorita do meu sogro. Entre conversas sobre o mercado financeiro e risadas bobas dos meus sobrinhos caçando formigas no vaso de plantas, o tempo voa.
Quando o sol começa a se deitar no horizonte, pintando o céu de São Paulo com tons de rosa e laranja, nossos parentes começam a se despedir. Meus irmãos me enchem de abraços, prometendo pegar o carro emprestado no próximo final de semana, e minha sogra me dá um beijo carinhoso na bochecha, sussurrando um "pensem com carinho no que conversamos sobre os bebês". Sorrio, mas desta vez não sinto o nó de ansiedade. Olho para Miguel, que está ajudando o cunhado a prender os gêmeos no carro deles, e sinto apenas esperança. No nosso tempo, vai acontecer.
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