Cloe Santana,
Me casei apaixonada, e nem foi só porque o Alberto era lindo, mas porque ele era super romântico. Namoramos por um ano, e nesse tempo eu não percebia que ele tinha dois lados. Até um dia antes do casamento, recebi flores e chocolates dele, como uma despedida de solteiro. Mas no dia do casamento, foi onde começou tudo.
O primeiro tapa veio na nossa lua de mel, depois de eu escolher um vestido decotado até o meu umbigo, eu queria provocar ele e não outros homens. Mas na mente dele, eu estava me insinuando para os machos da festa.
Alberto é um homem muito importante aqui em santa Catarina, a maior rede de supermercados é dele. Quando eu o conheci, estava fazendo faculdade de advocacia, ele até me ajudava a pagar algumas parcelas da faculdade. Mas, depois do casamento, tudo mudou.
Agora presa em um casamento que eu não posso fazer nada, não posso sair de casa sem estar com ele, não posso passar batom vermelho e nem mesmo uma simples maquiagem, porque se nas nossa saídas eu inventar de passar sem a sua permissão, ele passa a mão no meu rosto, borrando tudo.
Minhas roupas, que antes eram roupas de mulher, vestidos e shorts curtos, ele jogou tudo fora, me comprando calças e camisetas mais compridas ou vestidos parecendo camisolas de antigamente para que ninguém, nem mesmo as empregadas da casa possa ver o meu corpo.
Passo o dia trancada no quarto esperando por ele, já que ele não quer que eu converse e faça amizade com ninguém da casa, e só quando ele chega, que posso sair do quarto para me alimentar.
— Acho que você deve cortar esse cabelo, está grande demais e chamando muito atenção. — Ele diz sem olhar para mim, olhando para a sua comida no prato.
— Eu gosto do meu cabelo comprido, é a única coisa que me faz sentir mulher de verdade. — Ele dá um leve sorriso, e eu olho para ele. Seus olhos me penetram de uma forma, que o meu corpo todo já reage ao perigo. — Desculpa, vou na cabeleireira amanhã cortar ele.
— Acho bom, mas mande ela vim aqui, sabe que eu não quero que você saia sozinha. Eu te amo, Cloe, e não quero que nada de ruim te aconteça. — Ele sempre usa essa desculpa para me manter presa, fala sempre que alguém pode me sequestrar para arrancar dinheiro dele. — Termine de comer, vamos dormir que eu já estou cansado.
Coloco o garfo e a faca no prato, e o empurro o preto levemente para frente, antes mesmo de ficar satisfeita, pois quando ele manda eu terminar logo, significa que eu já terminei. Subimos para o quarto, e ele se deita na cama todo esparramado.
— Tira os meus sapatos! — Ele ordena, como se eu fosse a sua escrava. Me abaixo e tiro um e depois o outro. Ele se vira na cama, e bate com a mão para que eu me deite ao seu lado. Assim que eu me deito, ele me faz ficar de costas para ele, e me abraça por trás. — Quando eu mandar você fazer uma coisa, você fala que vai fazer, não retruca comigo, entendeu?
Não respondo e ele puxa o meu cabelo para trás, bem próximo da raiz, me fazendo resmungar de dor. Digo sim para ele pedindo desculpas, e ele solta o aperto.
— Me desculpa por isso, eu não queria te machucar. Mas você é minha mulher, te dou de tudo do melhor, não pode fazer uma coisa que eu peço?
— Eu vou fazer Alberto, amanhã vou ligar para a cabeleireira vim aqui cortar o meu cabelo. — Ele coloca o celular dele na minha frente e me mostra uma mulher que eu nunca vi na minha vida, com um corte de cabelo Chanel bem vermelho.
— Quero que corte desse jeito. Mas mantém a cor, gosto da cor do seu. — Concordo com ele para não irritá-lo.
No outro dia pela manhã, depois do café, ligo para a cabeleireira e peço para ela vim até a minha casa. Assim que ela chega, digo o corte que eu quero, e ela avalia o meu cabelo.
— Ele está tão lindo e saudável, quer mesmo cortar assim?
— Quero, eu enjoei dele grande. — Minto com uma dor grande no meu peito, cortar o meu cabelo desse jeito é uma tortura para mim.
— Que tal a gente cortar até o ombro assim, vai ficar bonito e não será tão radical. — Ela me mostra uma foto de uma modelo. O corte deixa o cabelo abaixo do ombro, e o que o Alberto me mostrou, ficava acima.
— Não, corte do jeito que eu falei, por favor. — Sem ter mais como me convencer, ela faz o corte. Seguro as lágrimas vendo a minha feminilidade indo embora com cada mecha que cai no chão.
Ela termina, pago com o cartão que ele deixa comigo para emergência, e vai embora. Tomo um banho, me troco e logo em seguida ele me liga.
— Se arruma, vamos almoçar fora hoje. A propósito, gostei do cabelo. — A casa está cheia de câmeras, parecendo o Big Brother Brasil, e ele sempre diz que é para a minha segunda. Até mesmo no banheiro tem câmera.
Coloco uma das roupas de sair, uma que agrade ele, mas que não me sinto bonita. Ele é grande e um pouco largo, fico parecendo ter mais idade do que eu realmente tenho. Agora com esse cabelo, posso afirma claramente, que em vez de ter 23 anos, tenho 60. Sem maquiagem e nem um adereço, pois tudo chateia ele.
Quando ele chega, ele sorri, pega na minha mão e saímos de casa. Chegamos em um restaurante chique, que eu me sinto até a faxineira do local. Ele está elegante em seu terno, e eu... Deixa pra lá.
Dois homens chegam e se sentam a mesa, e eles começam a falar sobre negócios. Mantenho a minha atenção na comida, para que ele não diga que eu estou flertando com os seus amigos.
— Senhora Santana, nunca tinha te visto antes, é uma linda mulher, parabéns Alberto. — Olho para o homem e dou um leve sorriso para agradecer, mas sinto a mão do Alberto apertando a minha coxa por debaixo da mesa.
— Bom, negócio fechado, minha esposa e eu terminamos. Nos veremos no escritório amanhã. — Ele se levanta e eu me levanto em seguida. Ele segura firme na minha mão, e me puxa com força para o carro. — O que você acha que eu sou? Quer me botar chifre na minha cara?
— Eu não fiz nada, porque está irritado?
— Entra no carro. — Ele fala grosso, com os dentes serrados. E assim que eu entro, e ele entra em seguida, fica um tempo sem ligar o veículo.
De repente, ele olha para mim, e eu olho para ele sem entender a sua irritação. Ele se aproxima mais de mim, pega no meu cabelo e puxa com força. Coloco a minha mão para que ele solte, até ver tudo passando bem rápido, e ele atingir a minha cabeça contra o painel do carro.
( Cloe na quando cortou o cabelo)
Cloe,
Acordo deitada na cama do nosso quarto. Ele está sentado na poltrona do lado de cabeça baixa, com um buquê de rosas na mão. Me mexo e ele olha para mim, se aproximando e se sentando na cama.
— Me desculpa, eu me descontrolei, não deveria ter feito aquilo com você. — Ele estende o buquê para mim, mas eu empurro.
— Para mim já deu, eu não vou ser seu saco de pancadas Alberto. Faço tudo que você pede, e mesmo assim você me bateu.
— Eu só tenho você Cloe. Quando eu vi você sorrindo para aquele homem, eu fiquei cego de ciúmes. Eu te amo demais, e tenho medo de te perder. Me perdoa, por favor, eu juro que não farei novamente. Olha o que eu fiz para você. — Ele se levanta e pega uma bandeja com café da manhã e coloca sobre o meu colo. — Eu juro que nunca mais vou te machucar. Só me perdoa, por favor.
Ele voltou para o modo carinhoso dele, nem se quer foi trabalhar para ficar cuidado de mim. Quando eu me levanto da cama, vejo o galo que ficou na minha testa pela pancada, e começo a chorar.
Ele entra no banheiro e me abraça por trás, e acaba chorando junto comigo, implorando pelo meu perdão. Acabou abraçando ele de volta, o perdoando pelo seu estado de nervosismo. Eu não deveria ter sorrido para o cara que me chamou de linda, eu mesmo causei isso.
Dois anos depois, comecei a fazer coleção de cicatrizes, todas na minha bunda e coxa. Mas a que mais marcou a minha vida, foi quando eu descobri que estava grávida e quando fui falar para ele, simplesmente me empurrou da escada e chutou a minha barriga, porque não queria me dividir com ninguém. Me deixou sedada em cima da cama e fez tomar vários chás de canela. Assim, meu bebê se foi, pelas mãos do próprio pai.
Depois, como todas às vezes ele me pediu perdão no outro dia, e me deu uma agrado. Eu o amava muito no início do relacionamento, mas isso está indo embora junto com tudo que ele está fazendo comigo. Comecei a tomar um anticoncepcional para não engravidar mais, já que não quero passar novamente pelo que eu passei.
Ele não bebe, não usa drogas, e nunca me forçou a ter relação sexual com ele. Ganhei no meu aniversário de 25 anos um novo celular top de linha, mas o único contato que eu tenho é o dele. Criei duas redes sociais nos nomes fictício, para ele não saber que estou acessando. Pois para ele, celular é apenas para ligar e falar com ele quando estiver no trabalho.
Olhando alguns uns vídeos, entrei em um perfil que fala sobre casamentos tóxicos e abusivos. Sempre pensei que a única forma de sofrer um abuso, seria se fosse sexual, mas como ele nunca me forçou a nada, achava que ele não era um abusador.
Vi algumas vítimas de feminicídio, e a cada página que eu abria, mais eu me identificava. Serei eu a próxima a entrar em um caixão por um marido narcisista? Desinstalo as redes sociais antes dele chegar, e deixo o celular em cima da cabeceira da cama e vou para o banho. Quando saio, vejo ele sentando na cama olhando para o meu celular.
— Passou o dia mexendo no celular, o que estava fazendo nele que nem se quer me ligou?
— Estava vendo vídeos no YouTube. — Minto, e me mantendo firme para que ele acredite. Ele manda eu me sentar ao seu lado, e eu me sento morrendo de medo.
— Vamos ver se está falando a verdade. — Ele abre a parte das ligações, e só tem o número dele. Olha no YouTube, e só tem vídeos de trechos de novelas, mas aí, ele abre o aplicativo que baixa os aplicativos no celular e eu congelo. Quando ele aperta a parte de pesquisa, logo aparece Instagram e Facebook. — Baixou eles?
— Não, eu sei que nem posso mexer nessas coisas. — Ele pega o celular dele e pesquisa pelo meu nome e sobrenome, tanto o de casada quando o de solteira, e fico aliviada por ele não encontrar nada.
Mas então, ele baixa esses dois aplicativos no meu celular, e depois de baixados, eles automaticamente entra nos perfis. Me levanto da cama e ele fica olhando os dois perfis, que por sorte não segui ninguém, apenas via os vídeos.
— Tem cinco solicitações de amizade, vai aceitar, Cloe?
— Não, eu só baixei para ver os vídeos, não estava... — Ele se levanta com tudo e joga o meu celular na cama.
— Você usa o celular que eu te dei, para conversar com machos em uma conta falsa? Apagou as mensagens do mesmo jeito que apagou os aplicativos para eu não saber?
— Alberto, eu juro que não fiz isso. — Ele avança sobre mim, e puxa o meu cabelo com tudo. — Para, está me machucando...
Ele me leva até a cozinha sem falar nada, e me joga no chão. Ele abre a gaveta e retira a tesoura de dentro.
— Acho que por causa do seu rosto, todo mundo vai sempre te achar bonita, que tal uma cicatriz para mudar isso. — Ele coloca a ponta na minha bochecha, mas eu coloco a mão na dele e o empurro.
— Já chega, eu não aguento mais, quero o divórcio. — Ele começa a gargalhar e se levanta. Eu fico em pé também, perto da gaveta de talheres.
— Você não é bosta nenhuma sem mim. Nos casamos com separação total de bens, então tudo que eu tinha, você não terá nem um real. E assim que você sair dessa casa, te denuncio por abandonar o lar para fugir com outro homem.
— NÃO ME IMPORTO COM A MERDA DO SEU DINHEIRO! — Grito para ele entender que só quero me livrar dele de uma vez por todas. Mas ele avança sobre mim com a tesoura, e sem nem perceber pego a faca dentro da gaveta. Quando ele se aproxima de mim, coloco a faca na minha frente e ela entra totalmente em sua barriga.
Ele cai no chão sangrando com a mão na barriga. Não terei outra chance, só espero que ele morra sozinho aqui. Saio de casa correndo, sem levar absolutamente nada, apenas a minha sanidade e o desejo de uma nova vida.
Mas, alguns minutos depois, vejo várias polícias passando em direção a nossa casa, e então, aumento a velocidade, fugindo para sempre de Santa Catarina.
Cloe,
Saio da estrada e entro pelos matos. Estou cansada, mas a única coisa que eu posso fazer é correr, pois não quero ser presa, não vou ficar em um cadeia sendo que só me defendi.
Mesmo tudo escuro, consigo ver de longe a sirene das viaturas, e os sons altos que ganham todo a mata. Mas eu corro, porque a minha liberdade depende das minhas pernas.
Até que chego em um penhasco, não muito grande, mas o suficiente para me machucar, ou até mesmo me matar se eu cair de mal jeito. Olho para trás, e a decisão tem que ser rápida. Respiro fundo, e me jogo. Coloco o braço em meu rosto para não machucar, mas sinto os cortes nas minhas pernas e braços.
Quando paro de rodar, sinto como se meu corpo todo tivesse se quebrado, e com muita dificuldade, consigo ficar em pé. Olho para cima, e a poeira ainda mostra o meu rastro, não posso ficar aqui, eu tenho que continuar. Começo a correr mancando, e me deparo com um estábulo. Tomara que não desçam aqui, pois precisos descansar o meu corpo para continuar a fugir pela manhã.
Assim que eu entro, alguns cavalos parecem bufar com a minha presença, e então, sigo para o quartinho do cavalo mais calado. Entro pulando o murinho de madeira, e me encolho no cantinho perto da pata dianteira dele, já que ele pode cagar em mim durante a noite.
Me encolho do jeito que dá, fecho os meus olhos, eu só preciso dormir umas três horas e vou estar renovada. Desperto com o barulho dos cavalos, e quando eu abro os olhos, me lembrou de onde estou. Me sento, e ouço um pigarreio de garganta forte e grosso, e olho para trás.
— Bom dia, tchê! Dormiu bem aí com o meu cavalo? — Me levantou sem graça, mas como ainda estou machucada, acabo caindo novamente. Tento de novo, mas dessa vez mais devagar, me apoiando na madeira e consigo ficar de pé.
— Desculpa, senhor. Eu só... Sou uma andarilha, e só precisava dar uma descansadinha, mas já estou indo embora, capaz. — Seguro no muro de madeira para pular, e ele percebendo a minha intenção, abre a porta, me mostrando que eu não preciso pular para sair.
— Tu não parece andarilha. Cadê a tua bolsa, ou tuas coisas?
— Fui roubada na cidade, mas vou conseguir novas doação. Obrigada pelo teto, mas tenho que ir. — Passo pela portinha mancando, e assim que eu chego na saída, uma garotinha aparece na minha frente.
— Quem é você? — Me abaixo para falar mais ou menos da altura dela.
— Me chamo Cloe, e você como se chama?
— Rebeca, mas todo mundo me chama de Beca. O que tu fazendo aqui com os cavalos?
— Só vim olhar eles, são bonitos né? — Apesar dela ser linda, é tão curiosa quanto o pai. — Bom, Rebeca, foi um prazer te conhecer, mas eu tenho que ir embora.
— Você tá dodói, pai, ela não pode ir embora assim, olha os braços dela. — olho para o pai, e ele só dá de ombro para nós duas. — Vamos, eu vou fazer um curativo em você. — Ela pega na minha mão, e sai me puxando para dentro da casa enorme.
Ela me senta no sofá e pede para eu esperar. Ela sai e volta depois de um tempo com um kit médico na mão. Ela abre, passa o remédio em todos os meus machucados, e depois coloca os band-aid. O problema, é que são desenhados, e eu fico parecendo um gibi.
— Agora posso ir embora, doutora?
— Ainda não, você precisa se alimentar. A comida é boa para a recuperação. Vem comigo. — Ele me leva até a mesa e eu fico pasma com a quantidade de comida em cima dela. Tem de tudo, parece que vai alimentar um batalhão.
— Você vai ser médica quando crescer?
— Não, eu vou ser veterinária. — O pai dela pigarreia a garganta, e eu tô me sentindo uma vaca agora, ou uma égua, talvez um bichinho de estimação dessa menina. Pensando bem, melhor uma ovelhinha fofa, para não ficar tão pesado. — Eu cuido dos animais do meu pai, já para quando crescer, eu poder cuidar deles. Come, Cloe, você precisa comer bastante para ficar forte.
Concordo com ela, e começo a comer. Rebeca também come seu pratinho, mas o pai dela fica só no café me observando. Ele parece mau humorado, parece até que não transa a muito tempo. Eu percebo esse tipo de coisa muito fácil.
— Tu tem uma casa, Cloe?
— Eu... — Olho para o pai dela, e ele me dá um olhar de aviso. — Eu tenho...— Ele concorda. — Eu tenho sim, só estava passeando mesmo.
— E tu tem um quarto só teu? — concordo com a cabeça. — Eu também tenho, e o meu é cheio de ursinhos, você quer ver? — Concordo novamente, mas quero mesmo é saber quando eu vou poder ir embora, não posso demorar muito tempo aqui. Com certeza a polícia já iniciou as buscar por mim, e não vai demorar nada até que cheguem aqui na fazenda do senhor rabugento.
Nós levantamos e seguimos para o quarto dela, e tudo é tão fofo, tem um cheirinho tão bom de criança. Seria assim o quarto da minha filha, se ela estivesse viva.
— Meu pai sempre compra um quando vai na cidade, eu gosto bastante, tu também gosta? — Concordo com ela sorrindo. — Porque você não fica aqui com a gente um pouco? Eu queria ter uma amiga morando aqui comigo, as minhas moram longe, e eu fico muito sozinha. Poderíamos brincar o dia todo, o que tu acha?
— Acho que o seu pai não ia deixar, e eu tenho que voltar para a minha casa. — Ela faz um bico tão fofo, que dá vontade de morder.
— Fica aqui que eu vou resolver, eu sempre resolvo os problemas dessa casa. — Ela sai do quarto e eu fico sem entender. Como uma garotinha do tamanho dela pode ser tão esperta? Continuou olhando ao redor, ficando encantada com o quarto dela.
Até que me dou conta da minha situação, eu preciso sair daqui agora. É melhor ela ficar triste por ver que eu fugir, do que ficar decepcionada depois. Me levanto, e quando eu abro a porta, ela e o pai dela estão na minha frente.
— Você pode ficar. — Ela diz animada, e eu olho para o pai dela, esperando que ele negue.
— Venha comigo, precisamos acertar os termos. — Ele parece estar falando em metáfora, certeza que vai me levar até a saída e me mandar embora. Bom, assim é melhor, pois será ele a quebrar o coração dela e não eu.
( Rebeca Albuquerque, 7 anos)
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