Naquela noite, Hanum tinha acabado de voltar da casa de seus sogros. Ela viu a casa tão silenciosa, mas vendo o carro do marido do lado de fora, isso significava que Galih tinha voltado. Hanum caminhou para o segundo andar onde ficava seu quarto, Hanum abriu a porta do quarto com passos pesados. Sua barriga de nove meses fazia seu corpo cambalear, mas seu coração cambaleava muito mais ao ouvir sons de trás da porta. A risada crocante de uma mulher junto com o sussurro amoroso de um homem.
Deg.
Seu coração batia forte, suas mãos tremiam ao empurrar a folha da porta. E o mundo pareceu desabar diante dela. Galih, seu marido, o pai da criança em seu ventre, estava deitado com uma mulher em seu leito matrimonial. O cabelo comprido, a maquiagem pesada e a risada vitoriosa eram muito conhecidos por Hanum. Aquela mulher era Lilis Karlina, a ex-namorada de Galih quando estava no ensino médio.
Hanum congelou, seu corpo pareceu paralisar, seu peito apertou. "Galih...?" sua voz estava rouca, cheia de incredulidade.
Galih apenas bufou, sem mostrar pânico ou arrependimento. Em vez disso, sentou-se relaxado, pendurando seu braço sobre o ombro de Lilis. "Por quê? Você já viu você mesma, certo? Não há mais nada a explicar."
"Galih! Você percebe que eu sou sua esposa? A mãe do seu filho!" Hanum rugiu, suas lágrimas estouraram imediatamente. Lilis riu entre os dentes, olhando-a com um olhar condescendente.
"Sua esposa? Ah, Hanum. Não seja ingênua... Galih nunca te amou. Vocês se casaram pela obrigação do testamento de seus pais, não pelo coração. Galih tem sido meu desde sempre, e agora venho recuperar o que deveria ser meu."
"Cale-se, Lilis!" Hanum deu um passo à frente, seu corpo tremendo. "Você não tem o direito de me arrancar meu marido!"
Mas Galih se levantou, segurando o ombro de Hanum com rudeza para que não se aproximasse de Lilis. "Basta, Hanum! Estou farto de viver com você. Desde o início, nunca quis me casar com você. Tudo por causa do testamento dos seus pais! Você acha que sou feliz?"
Hanum olhou para o marido com os olhos arregalados, como se todo o ar de seus pulmões tivesse desaparecido. "Galih..." sua voz quebrou. Tentou virar-se para ir embora, querendo sair daquele quarto antes que seu corpo desabasse por uma ferida interna profunda demais. Mas Lilis rapidamente agarrou seu braço, impedindo-o.
"Aonde você vai fugir, hein? Você nem consegue proteger seu marido de mim!"
"Solte-me, Lilis!" Hanum gritou, tentando se soltar de seu aperto.
Em um instante, Lilis a empurrou com força. Hanum perdeu o equilíbrio. Seu corpo, que estava muito grávido, cambaleou, caiu batendo no parapeito do andar superior e então seu corpo foi lançado para baixo.
¡Dugh!
O grito de Hanum sacudiu a casa.
"¡Aagrh!"
O sangue começou a fluir abundantemente entre suas pernas. Seu corpo se contorceu, suas duas mãos tentaram proteger sua barriga.
"Filho... meu filho... ajuda..." sua voz era quase inaudível. Galih só estava de pé no topo das escadas, olhando o corpo de sua esposa coberto de sangue. Seu rosto estava plano, sem um pingo de culpa. Lilis sorriu satisfeita, então olhou para Galih.
"Está vendo? Seu problema está resolvido. Se esse bebê morrer, você será livre. Poderá se casar comigo sem preocupações."
Galih bufou, então desceu as escadas com passos relaxados. Parou ao lado do corpo de Hanum que gemia de dor, olhando-a com um olhar cheio de desgosto.
"Está ouvindo, Hanum?" sua voz era fria. "Se esse bebê morrer... me libertarei de você. E, sinceramente, espero que seja assim."
As lágrimas de Hanum caíram abundantemente, olhando o rosto de seu marido a quem antes havia amado até a morte. "Galih... você... é cruel..."
Mas Galih apenas se virou, pegando a mão de Lilis. "Vamos, Lilis, vamos embora daqui. Deixe que outros cuidem dela."
"Galih! Não vá! Imploro..." Hanum gritou de novo, o sangue continuava inundando o chão de mármore. Mas o som dos passos de Galih e Lilis se afastando lhe atravessou o coração mais do que a dor em seu corpo.
As lágrimas brotaram dos cantos de seus olhos, não só pela dor física, mas também porque seu coração estava destroçado. Seu marido, o homem que amava, preferia defender outra mulher que lhe havia arrebatado seu lar. Com as poucas forças que lhe restavam, Hanum tentou mover suas mãos, agarrando algo para poder se levantar. Mas seu corpo estava fraco demais. Arrastou-se lentamente, deixando manchas de sangue no chão de mármore daquela casa.
"Galih..." sua voz era quase inaudível, chamando suavemente. Mas o homem só olhou brevemente com um rosto frio.
"Já basta, Hanum... não seja dramática. Você começou tudo isso."
Essa frase doeu mais que a ferida em seu corpo. Hanum mordeu o lábio, reprimindo um soluço. Continuou se arrastando em direção à porta. Cada toque do mármore sentia como um espinho que lhe atravessava a pele. Quando seu corpo quase havia cruzado o umbral da porta, uma voz surpreendente soou.
"Astaghfirullah, Senhora Hanum!" uma exclamação de pânico veio da direção da cerca. Uma vizinha, a senhora Marni, viu claramente como Hanum se arrastava em um estado terrível. Sem pensar duas vezes, a mulher correu até ela, se inclinou e então gritou pedindo ajuda às pessoas que estavam ao redor.
"Rápido! Ajudem a levantar a senhora Hanum! Ela está sangrando!"
Alguns vizinhos que ouviram vieram imediatamente. Se surpreenderam ao ver Hanum em estado de morte, enquanto acabavam de ver o carro de Galih saindo da casa naquela noite.
Hanum só conseguiu fechar os olhos, seu corpo foi levantado pelos vizinhos, levando-a apressadamente ao carro de um vizinho que estava pronto para levá-la ao hospital. Em sua mente, só teve tempo de sussurrar em seu coração, 'Deus... se realmente ainda me dá vida, não permita que meu filho nasça em uma casa cheia de traição...'
O ruído do motor do carro do vizinho acelerando a toda velocidade ainda ressoava nos ouvidos de Hanum quando sua consciência começou a se esvair. Seu corpo desabou na cadeira de rodas improvisada enquanto a enfermeira a levava para a sala de emergências. Os gritos do médico e da parteira se misturavam ao som dos instrumentos médicos tilintando rapidamente.
"A pressão arterial dela está caindo! Rápido, preparem uma intravenosa!"
"O feto está instável, precisamos agir imediatamente!"
Hanum tentou abrir os olhos, mas as pálpebras pareciam pesadas. Apenas se ouviam os sussurros de orações de alguns vizinhos que tinham vindo acompanhá-la. Seu coração tremia, sabia que o que estava em jogo não era apenas sua vida, mas também a de seu filho ainda não nascido.
Algumas horas depois.
Um choro dilacerante sacudiu a sala de hospitalização. Hanum, com o corpo fraco, gritou histérica ao ouvir as notícias do médico.
"Sra. Hanum, lamentamos... o bebê não pôde ser salvo."
Essas palavras foram como um raio que atingiu seu coração. Seu corpo tremeu violentamente, agarrou-se à barriga que agora se sentia vazia. As lágrimas brotaram, sua voz se quebrou cheia de dor.
"Não! Não! Não levem meu filho! Não..." Hanum gritou até que sua voz ficou rouca, suas mãos se estenderam ao ar, como se quisesse agarrar algo que acabavam de lhe arrebatar. A enfermeira tentou acalmá-la, mas Hanum continuou chorando incessantemente, como se o mundo desabasse sobre ela.
A porta do quarto se abriu de repente. Galih apareceu com o rosto inexpressivo, seus olhos não mostravam um pingo de remorso. Simplesmente ficou ali, com uma camisa amarrotada, respirando com dificuldade.
"Já chega, Hanum. Pare de chorar", disse friamente. Essas palavras fizeram com que todos na sala se virassem com olhares de incredulidade.
Hanum levantou o olhar, fitando o homem que supostamente era o apoio de sua vida. As lágrimas escorriam pelo seu rosto.
"Você... você é tão cruel, Galih. Você não perdeu nada! Mas eu... eu perdi tudo."
Galih não respondeu, apenas baixou a cabeça por um momento, depois olhou para a porta. Lá estava Lilis, meio escondida, com o rosto pálido de medo. E justo naquele momento, Miranti, a mãe de Galih, chegou apressadamente com o motorista da família. Assim que entrou no quarto, seu olhar se fixou diretamente em Hanum, que jazia fraca na cama, e depois se dirigiu para Lilis, que estava de pé atrás.
O rosto de Miranti se contraiu, seus olhos se estreitaram cheios de raiva. Reconheceu aquela figura.
"Outra vez você...?" sibilou com dureza. "Eu te vi muitas vezes andando com Galih! Então tudo isso é sua culpa?"
Lilis entrou em pânico, seu rosto ficou pálido como papel. "N-Não, Tia... eu..."
Mas Miranti já tinha dado um passo à frente, apontando diretamente para ela.
"Cale a boca! Não se atreva a aparecer diante dos meus olhos de novo! Por sua culpa, Hanum perdeu seu filho!"
A atmosfera no quarto de repente se tornou horripilante. Hanum só podia chorar, seu corpo tremia, enquanto Galih permanecia rígido entre sua mãe e sua amante. Mas mesmo assim, não disse uma única palavra para defender Hanum.
O quarto parecia congelado. Apenas se ouvia o som dos soluços de Hanum, rompendo o silêncio penetrante. Seu corpo tremia, seus olhos estavam vermelhos e úmidos, seus lábios tremiam incapazes de conter a ferida que lhe atravessava a alma.
"Meu filho... meu filho... não está mais aqui", sussurrou rouca, olhando fixamente para o teto. Miranti se aproximou, agarrando a mão de Hanum com força. Seu rosto também estava cheio de lágrimas.
"Tenha paciência, filha... tenha paciência... Deus deve ter outro plano."
Mas Hanum negou com a cabeça debilmente, sua voz se quebrou.
"Tia... eu não tenho mais nada. Levaram meu filho... também me arrebataram meu marido..."
Essas palavras fizeram com que o peito de Miranti se sentisse ainda mais oprimido. Olhou para seu filho que estava de pé em silêncio como uma estátua.
"Galih! Você ouviu você mesmo, não é? Olhe para sua esposa! Acaba de perder seu filho, perdeu seu futuro! E você ainda fica calado?"
Galih respirou fundo, baixou a cabeça por um momento e então disse com um tom frio: "Mãe, não culpe Lilis. O que aconteceu antes... foi um acidente. Hanum estava muito emocional, ela insistiu..."
"Galih!" a voz de Miranti se elevou, cheia de raiva, bateu na pequena mesa ao lado da cama, fazendo com que a enfermeira desse um pulo de surpresa. "Não inverta os fatos! Sei que você está tendo um caso, sei que está tendo relações com essa mulher barata às escondidas de sua esposa!"
Lilis se sobressaltou, seu rosto ficou vermelho entre a vergonha e o pânico. "Tia! Não fale sem pensar! Eu não..."
"Cale a boca!" gritou Miranti, seus olhos brilhavam. "Acha que sou cega? Eu te vi várias vezes com Galih, e agora... veja as consequências! Hanum quase morre, meu neto morreu, e você está aqui sem se sentir culpada!"
Hanum cobriu o rosto com ambas as mãos. Seus soluços se tornaram mais fortes, seu corpo se sacudiu violentamente.
"Por que... por que são tão cruéis comigo? Já lhes dei tudo o que tinha... mas destruíram tudo em um dia..."
Galih resmungou, seu rosto começou a escurecer. "Hanum, não seja exagerada. Nosso filho não sobreviveu, mas não é minha culpa. E sobre Lilis... estou apaixonado por ela. Não posso continuar fingindo ser feliz com você."
Essas palavras atingiram Hanum com mais força do que a notícia da morte do seu bebê. Baixou as mãos, olhando para Galih com olhos nublados, cheios de dor.
"Amor? Você diz amor... depois de pisar no nosso casamento, depois de matar nosso filho? A isso você chama de amor?"
Lilis deu um passo à frente, tentando ficar ao lado de Galih. "Hanum, já chega. Você e Galih se casaram por um casamento arranjado, não porque se amavam. Você mesma sabe disso. Então não o culpe se agora ele escolhe o que quer."
"Cale a boca, você!" gritou Miranti, Lilis se sobressaltou de novo ao ouvir essa voz.
Hanum soltou uma risada amarga entre lágrimas, sua voz era rouca. "E você... mulher desavergonhada! Roubou o marido de outra pessoa, me empurrou até quase morrer, e agora está aqui sem se sentir culpada?"
Miranti tremia de raiva, quase esbofeteou Lilis se a enfermeira não a tivesse detido rapidamente. "Saia daqui, Lilis! Juro que nunca mais se aproxime da minha família!"
Galih deteve sua mãe. "Já chega, Mãe! Não se intrometa. Já tomei uma decisão. Vou me divorciar de Hanum. Quero viver com Lilis."
Essas palavras silenciaram o quarto. Hanum olhou para o vazio, seu corpo cambaleou como se o sangue tivesse se esgotado. Miranti ficou boquiaberta incrédula, depois olhou para seu filho com olhos que mal podiam reconhecê-lo.
"Você... não é o filho que criei, Galih", sua voz era suave, mas penetrante. "O filho que criei não sacrificaria sua esposa e filho por uma mulher como esta."
Galih não respondeu, apenas agarrou a mão de Lilis, aproximando-a mais, como se quisesse mostrar sua escolha diante de todos.
Hanum sorriu com amargura entre lágrimas. Um sorriso que se parecia mais a uma ferida aberta. "Está bem, Galih... se é isso que você quer. Divorce-se de mim... mas lembre-se, o que semearem hoje... algum dia colherão."
O ambiente era silencioso, apenas se ouvia o tique-taque do relógio de parede e os soluços restantes de Hanum. Miranti ficou ao lado da cama, agarrando a mão de Hanum com mais força como se prometesse não deixá-la sozinha nunca mais.
Enquanto isso, Galih se afastou com Lilis, deixando um aroma de traição que Hanum nunca poderia esquecer.
"Não chore, filha. Estarei do seu lado", disse Miranti com carinho.
Um mês se passou. A ferida de Hanum ainda não cicatrizou, mas ela se esforça para aprender a se levantar. Todas as noites, a imagem do rosto do seu bebê que nunca conseguiu abraçar ainda vem em seus sonhos, mas Miranti está sempre ao seu lado, dando-lhe abraços e palavras de consolo.
Naquele dia, Miranti a convidou para comparecer a uma reunião de família na casa de um parente.
"Venha comigo, Hanum. Não continue se isolando em casa. Você precisa de ar fresco", disse Miranti suavemente.
Hanum apenas assentiu. Seu coração ainda resistia, mas ela não conseguiu rejeitar o pedido da mulher que já considerava mais como sua mãe biológica do que como sua sogra.
Naquela noite, a casa da família Biantara recebeu com o brilho das luzes de cristal. Os convidados chegavam com roupas luxuosas, suas conversas se misturavam com a música suave tocada por músicos profissionais. Hanum, que vestia apenas um simples vestido branco, sentou-se no canto da sala. Seu rosto estava tranquilo, embora por trás de seu olhar se escondesse uma ferida que ainda não havia cicatrizado.
No segundo andar, Abraham Biantara estava de pé com seu terno preto. Ele tinha 35 anos, seu rosto era bonito, mas frio, como se fosse formado pela tristeza que guardava. Desde a partida de sua esposa há apenas um mês, ele ficava mais em silêncio, raramente descia para a multidão. Mas nesta noite, ele compareceu por causa da celebração do seu bebê, seu único filho que agora é o centro de sua vida.
Seu olhar percorreu a sala, avaliando os convidados sem interesse. Até que seu olhar parou na figura de uma jovem sentada no canto da sala: Hanum. Havia algo naquele olhar que deixou Abraham paralisado, uns olhos que refletiam a mesma ferida que ele. Como se estivessem conectados pelo destino, Hanum de repente se virou. Seus olhares se encontraram, por um momento, o tempo pareceu parar.
Mas o momento se quebrou quando um criado se aproximou de Abraham com um rosto de pânico.
"Grande Senhor, Jovem Mestre, volta a chorar... Jovem Mestre, já não quer beber leite de fórmula".
O rosto de Abraham se retesou. Imediatamente se afastou, percorrendo o longo corredor em direção ao quarto onde cuidavam do seu bebê. Lá dentro, várias babás tentavam em vão embalar o pequeno bebê que continuava chorando aos gritos.
"Já experimentamos várias marcas de leite, Senhor... mas o Jovem Mestre continua se recusando".
Abraham pegou seu bebê com cuidado, abraçando-o com força. "Acalme-se, filho... Papai está aqui". Mas o choro não cessou, fazendo com que o peito de Abraham se sentisse cada vez mais oprimido.
Por outro lado, na sala de estar, Siska, a mãe de Abraham, estava conversando com Miranti. Sua conversa parou quando Hanum se aproximou, seu rosto estava um pouco pálido, mas ainda conseguia sorrir cortesmente.
"Perdão, Senhora... poderia me acompanhar ao banheiro? Meu peito está se sentindo... um pouco dolorido".
Siska olhou para ela surpresa, depois olhou para Miranti com interrogação. Miranti suspirou suavemente e então sussurrou suavemente.
"Hanum... acabou de perder seu filho há um mês. Mas devido a que sua idade gestacional já era grande o suficiente, seu leite materno ainda sai até agora". Instantaneamente os olhos de Siska se abriram com surpresa. Ela ficou em silêncio por alguns segundos, como se algo tivesse atingido sua mente.
"O quê? Leite materno...?"
Miranti assentiu lentamente. "Sim, mas por favor, não pergunte nada a ela. Seu coração ainda é muito frágil".
A criada da casa se aproximou, pronta para acompanhar Hanum ao banheiro. Siska olhou para as costas de Hanum que se afastava lentamente, depois voltou a olhar para Miranti.
"Miranti..." sussurrou com voz baixa, mas trêmula. "Que tal se...?"
Miranti se surpreendeu. "O que você quer dizer?"
Siska pegou a mão de sua velha amiga, seus olhos brilhavam cheios de esperança. "Venha comigo, quero que você veja meu neto. Ele rejeita todo o leite de fórmula. Talvez... Deus já tenha preparado sua resposta através de Hanum".
Miranti se engasgou, seu coração tremeu. Em um instante, ela percebeu que o destino estava guiando Hanum por um novo caminho. Um caminho que poderia curar as feridas do seu próprio coração. Ambas caminharam rapidamente em direção ao quarto do bebê. Lá dentro, aquele pequeno choro soava alto, perfurando os ouvidos e o coração ao mesmo tempo.
Os passos de Hanum, que se dirigia ao banheiro, pararam repentinamente. Do longo corredor, o som do choro de um bebê soava tão alto, perfurando os ouvidos e seu coração ao mesmo tempo. Aquele som se sentiu familiar, um som que deveria ter ouvido há um mês do seu filho que nunca conseguiu chorar.
Aquele choro era como um ímã, guiando os passos de Hanum sem que ela percebesse. Seu corpo tremia, seu peito se sentia cada vez mais dolorido, seu leite materno parecia estar prestes a sair. Ela agarrou o tecido do seu vestido, contendo a opressão que repentinamente surgiu em seu peito.
No final do corredor, a porta do quarto se abriu. Várias babás pareciam entrar em pânico, tentando acalmar o pequeno bebê que continuava chorando aos gritos nos braços de Abraham. O rosto do homem estava tenso, seus olhos vermelhos, seu suor gotejava embora tentasse parecer forte.
"Tentem de novo", pediu Siska, Miranti, ao ver isso, sentiu pena.
Hanum estava parada no umbral da porta, seu coração batia forte. Sem perceber, seus lábios tremeram chamando suavemente.
"Posso... tentar segurá-lo?"
O quarto de repente ficou em silêncio, todos os olhares se voltaram para ela. Abraham se virou, olhando para Hanum com um olhar frio misturado com surpresa. Como se perguntasse quem era a estranha que se atrevia a se oferecer.
As babás se olharam entre si, claramente duvidando. Uma delas até sussurrou: "Senhor, isso é seguro?"
Miranti, que havia estado lá antes, se levantou e imediatamente avançou. Pegou a mão de Hanum, guiando-a para dentro.
"Acalmem-se, ela não é uma estranha. Hanum é família nossa". Sua voz era firme, dando uma garantia. Hanum se inclinou cortesmente, embora em seu coração houvesse uma grande batalha entre a esperança e a ferida. Siska então olhou para Abraham, sua voz era firme, mas suave, "Abraham, deixe-a. Acredite em mim, talvez isso seja o que meu neto precisa".
Abraham olhou para o rosto de sua mãe, depois novamente para Hanum. Havia dúvidas em seus olhos. Mas, por outro lado, o choro do bebê que não cessava o estava levando quase ao desespero. Após um momento de silêncio, entregou o pequeno bebê com mãos trêmulas.
"Tenha cuidado", disse friamente e Hanum soube que não era apenas um aviso, mas algo que realmente deveria ouvir. Hanum o recebeu com cuidado. Assim que aquele pequeno corpo se transferiu para seus braços, Hanum prendeu a respiração, o cheiro do bebê inundou seu nariz, fazendo com que seu peito doesse. As lágrimas imediatamente brotaram em suas pálpebras. Milagrosamente, o choro do bebê diminuiu gradualmente. Já não gritava, apenas gemeu um pouco e depois pressionou seu pequeno rosto contra o peito de Hanum. Suas pequenas mãos agarraram o tecido do vestido de Hanum, como se procurassem algo.
Hanum se engasgou, uma sensação de plenitude surgiu nela. Seu peito, que estava inchado há um tempo, tornou-se ainda mais doloroso, seu leite materno parecia estar prestes a sair. Ela se inclinou, olhando para o bebê com olhos lacrimosos.
"Ele... talvez esteja com fome..." sussurrou quase inaudível. Todos no quarto ficaram atônitos. As babás se olharam entre si, sem acreditar no que estavam testemunhando. Abraham ficou paralisado, seus olhos fixos no rosto de Hanum que agora estava cheio de lágrimas. Algo perfurou seu peito, algo que havia enterrado durante muito tempo desde que sua esposa se foi.
"Hanum, você pode amamentá-lo?" Pediu Siska suavemente, mas isso fez com que Abraham se irritasse.
"Mãe!" Gritou.
"Hanum..." A Siska não importou, mas Hanum não se atreveu a tomar uma decisão.
"Hanum, a mulher que acabou de perder seu bebê. Seu leite materno é muito puro... e é muito bom para dar a Kevin", disse Siska, Abraham suspirou. Siska pediu a Hanum que amamentasse, e Siska convidou Abraham para sair e conversar.
Naquela noite, depois que o pequeno bebê adormeceu tranquilamente nos braços de Hanum, a atmosfera do quarto mudou para silêncio. Siska olhou longamente para aquela cena, Hanum com um rosto cheio de lágrimas, mas suave e sinceramente segurando seu neto. Seu coração perturbado há um mês sentiu como se recebesse uma resposta do céu.
Aproximou-se de Abraham que ainda estava de pé, seu rosto tenso depois de falar antes. Com voz trêmula, Siska sussurrou:
"Abraham... você viu você mesmo, certo? Este bebê precisa dela. Desde que sua esposa se foi, não há uma única mulher que consiga acalmá-lo... exceto esta mulher... ela é Hanum".
"Case-se com ela!" Continuou Siska.
Abraham ficou em silêncio, seu maxilar se retesou. Seus olhos olharam fixamente para sua mãe. "Mãe... não seja imprudente. Não posso me casar novamente tão cedo. Minha esposa... acabou de partir... partiu há apenas um mês". Sua voz era rouca, havia uma ferida que escondia por trás de sua firmeza.
Siska negou lentamente, seus olhos estavam lacrimosos. "Filho, sei que você ainda está de luto. Mas este bebê... meu neto... precisa do amor de uma mãe. O leite de fórmula não pode substituí-lo, e as babás só podem segurá-lo. Você sabe muito bem que o amor de uma mãe é insubstituível".
Abraham inclinou a cabeça, suas mãos se apertaram em punhos. Olhou para seu filho que estava dormindo nos braços de Hanum, depois desviou o olhar, como se se recusasse a reconhecer o que realmente havia visto.
"Não posso, mãe. Não posso me casar com essa mulher".
"Mas por quê?" Perguntou Siska em voz baixa.
"Porque não a conheço. Porque não estou pronto, porque..." Ele parou, engolindo as palavras que se sentiam amargas em sua garganta, "Ainda amo minha esposa".
Siska pegou a mão do seu filho com força. "Abraham... o amor pela falecida você pode guardar em seu coração. Mas não deixe que seu filho cresça sem o amor de uma mãe. Pelo menos, dê a ele a oportunidade de conhecer esse calor".
Abraham ficou em silêncio durante muito tempo, seu peito subia e descia. Seu rosto era duro, mas seu coração vacilava. Após um longo silêncio, finalmente exalou um pesado suspiro.
"Está bem, se é isso que você quer, mãe. Mas não quero me apressar. Arrume uma reunião, deixe-me julgar por mim mesmo quem é essa mulher".
Siska assentiu firmemente, um sorriso de alívio apareceu em seu rosto. Sabia que seu filho já havia dado luz verde.
No dia seguinte, Miranti ligou para Hanum, que estava sentada na varanda da grande casa da família Biantara. O rosto de Miranti parecia sério, sua voz estava cheia de consideração ao falar.
"Hanum, há algo que preciso te contar. Siska... a mãe de Abraham, quer pedir que você se case com seu filho. Quer que você se torne a esposa de Abraham e a mãe adotiva do seu neto".
Hanum ficou atônita, suas mãos reflexivamente apertaram o tecido da sua roupa.
"O quê...? Casar? Com o Sr. Abraham?" Sua voz se engasgou, seus olhos estavam lacrimosos.
Miranti suspirou profundamente, depois olhou para ela suavemente. "Hanum, sei que isso é repentino. Sei que seu coração ainda está cheio de feridas... mas Siska vê sua sinceridade... acredita que você pode ser uma boa mãe para seu neto".
Hanum inclinou a cabeça, seu coração estava uma bagunça, como poderia se casar novamente, mesmo quando a ferida da traição de Galih e a morte do seu bebê ainda não haviam cicatrizado? No entanto, em um canto do seu coração, lembrou-se daquele pequeno bebê, seu olhar, seu choro que diminuiu em seus braços.
"Senhora, ainda não estou pronta para começar um novo casamento", as lágrimas corriam pelo seu rosto.
Miranti acariciou seu ombro suavemente. "Entendo, mas Hanum... você viu o bebê você mesma, certo? Ele precisa de você. Está buscando seu calor, você é a única que pode acalmá-lo".
Hanum cobriu seu rosto com ambas as mãos, seu corpo tremia.
"Não sei se este é o caminho certo... mas não posso suportar, Senhora. Esse bebê... é como meu próprio filho. É como se Deus o enviasse para preencher o vazio no meu coração".
Miranti sorriu comovida, olhando para Hanum com orgulho. "Então... aceite, filha. Talvez esta seja a forma como Deus cura nossas feridas".
Com um coração confuso, Hanum finalmente assentiu. Meio se negando, meio aceitando.
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