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Um Casamento às Pressas

Capítulo 1

— Oi, tia May. O quê? A senhora encontrou alguém?

Janice Gladwell estava no carro, parada no sinal. A ligação da tia May a surpreendera: ela tinha telefonado havia apenas dez minutos, pedindo que arranjasse um encontro, e não esperava que fosse conseguir tão rápido.

Aquilo, sim, tinha sido depressa.

— Sim. Ele vai estar na mesa oito do restaurante Peony, de camisa branca. Mas, Jan... você está mesmo com tanta pressa? Para falar a verdade, esse rapaz não tem dinheiro. Não quer pensar melhor e esperar mais alguns dias?

A tia May parecia relutante. Era casamenteira havia décadas, mas nunca conhecera uma moça tão impaciente. Como dizia o ditado, quem se casa depressa se arrepende depressa. Ela tinha medo de manchar a própria reputação.

— Não precisa, tia May. A situação dele não importa, desde que seja um cidadão decente e respeite a lei.

Janice entendia perfeitamente a própria situação.

A madrasta queria obrigá-la a se casar, no lugar da irmã, com um estuprador. Por isso, ela precisava agir antes.

Tinha de se casar com outro homem antes que a madrasta tomasse alguma providência.

Janice sabia que não seria fácil encontrar alguém disposto a se casar com ela tão depressa, então baixou as exigências. Desde que não fosse mentalmente incapaz e fosse homem, já bastava.

Ela guardou o celular, segurou o volante e se preparou para arrancar quando o semáforo abriu. De repente, uma figura surgiu no meio da rua.

Uma senhora atravessava entre os carros.

Janice saiu às pressas do veículo e correu para ajudá-la.

Quando finalmente entrou no restaurante Peony, já estava cinco minutos atrasada para o encontro.

Ah, não!

E se tivesse perdido o futuro marido por causa daqueles cinco minutos?

Mas não teve tempo de pensar nisso.

Esquece. Não adianta me culpar. Vou entrar e tentar a sorte.

Talvez ele ainda esteja aqui.

E estava mesmo. Ao entrar no restaurante, ela viu um homem de camisa branca sentado a pouca distância.

Janice se aproximou e conferiu: mesa oito.

Tinha de ser ele.

Para sua surpresa, ele não tinha ido embora. Aquilo lhe causou uma boa impressão, e Janice se alegrou em silêncio.

Enquanto caminhava até ele, não conseguiu evitar reparar em suas costas. Os ombros eram largos, a postura, ereta. Pela silhueta, devia ser bonito.

Que estranho. Por que a tia May dissera que ele não era um bom partido? Será que a família dele era pobre?

Bom, descobriria assim que perguntasse.

Mas, antes que pudesse chegar até a mesa, um garçom a deteve.

— Desculpe, mas o senhor Bateman pediu que não o incomodassem.

Janice sorriu.

— Eu sei. Ele tem um encontro comigo, então é claro que não quer ser interrompido.

O garçom não respondeu.

Sem notar o espanto estampado no rosto dele, Janice continuou até o homem.

— Desculpe o atraso. Aconteceu um imprevisto no caminho.

Ela se sentou à frente dele.

Em silêncio, o homem ergueu o rosto e a fitou.

Um lampejo de surpresa passou por sua expressão, logo substituído por curiosidade.

Ao ver o rosto dele, Janice quase perdeu o fôlego.

Meu Deus!

Ele não era apenas bonito. Era absurdamente bonito.

Tinha sobrancelhas marcadas e olhos vivos. Mesmo usando uma simples camisa branca, parecia pertencer à realeza.

Em outras palavras, lembrava uma jovem estrela do mundo do entretenimento.

O mais marcante, porém, era a presença poderosa, quase intimidadora. Quando arqueou levemente as sobrancelhas, Janice sentiu vontade de manter distância.

Não era de admirar que tivesse pedido ao garçom que não deixasse ninguém se aproximar. Com aquele rosto, homem ou mulher nenhum resistiria à tentação de encará-lo.

Percebendo que tinha se desconcentrado, Janice sorriu sem graça e puxou a cadeira para se acomodar.

— Obrigada por ter me esperado. Isso prova que você é um cavalheiro.

Janice falava com sinceridade.

Sem dizer nada, o homem arqueou levemente as sobrancelhas. Um traço de interesse brilhou em seus olhos escuros.

...

Capítulo 2

Naturalmente, Janice não percebeu o olhar do homem.

Ela mal conseguia acreditar que ele tivesse aceitado se casar com ela tão de repente.

Na opinião dela, aquele homem era extraordinariamente bonito. Mesmo que a família dele fosse um pouco pobre, isso não faria tanta diferença. Afinal, o mundo julgava tudo pelas aparências.

Ele não tinha motivo algum para estar com tanta pressa. Será que também escondia uma razão inconfessável, como ela?

Mas já que estava ali, precisava tentar. E se a proposta desse certo?

Janice se recompôs e falou:

— Oi. Deixa eu me apresentar primeiro. Meu nome é Janice Gladwell, tenho vinte e quatro anos e sou repórter externa de uma emissora de TV. Acho que a tia May já contou a minha situação. Estou com pressa para encontrar alguém com quem me casar. Se você concordar, podemos registrar o casamento hoje mesmo.

Quando terminou, Janice o encarou, ansiosa.

Afinal, ele não parecia tão ruim quanto a tia May tinha dito.

Houve um vestígio de surpresa nos olhos tranquilos dele. Ele a observou por dois segundos e então desviou o olhar. Não parecia ter a menor intenção de falar.

Janice ficou um pouco constrangida.

Ele aceitava ou não? Ou o pedido tinha assustado o homem?

Ela sabia que suas palavras soavam casuais demais.

No fim das contas, casamento era uma decisão importante. Ninguém deveria se precipitar como ela estava fazendo. Só recorria a uma escolha tão imprudente porque conhecia as intenções da madrasta.

Depois de pensar um pouco, decidiu demonstrar sinceridade.

— Eu sei que casar em tão pouco tempo exige coragem. Afinal, vamos viver juntos a vida toda. Além disso, não nos conhecemos, então precisamos ter cuidado.

Na verdade, se não fossem as circunstâncias, eu não teria escolhido me casar tão depressa. Não sei o quanto a tia May contou sobre mim, mas pode ter certeza de que, sejam quais forem meus motivos para casar, vou cumprir minhas responsabilidades no casamento.

Além disso, já planejei nossa vida depois de casados. Ainda moro de aluguel, mas meu emprego é estável e meu salário mensal dá conta das despesas do dia a dia.

— A tia May me disse que você ainda não tem emprego, mas isso não importa. Você pode procurar trabalho sem pressa. Desde que esteja disposto a se esforçar, não acho que será um problema. Claro, se aceitar minha ajuda, posso ajudar você a encontrar alguma coisa. Enfim, ainda somos jovens. Mesmo que as condições agora sejam um pouco difíceis, nossa vida vai melhorar se estivermos dispostos a trabalhar duro.

Quando terminou, Janice encarou o homem à sua frente com fervor. Achava que tinha sido muito sincera.

Mas ele continuava impassível. A única mudança foi baixar a cabeça e mexer no celular.

Janice ficou sem palavras.

Sentiu-se constrangida. Era a primeira vez que passava por uma situação assim. Nem quando precisara entrevistar alguém difícil aquilo tinha sido tão estranho. Será que não tinha se explicado bem?

Ela chegou a duvidar da própria capacidade de se expressar.

Hesitou por um momento e não teve escolha senão insistir:

— Bom, eu falei bastante. Você quer dizer alguma coisa? Por exemplo, se quiser contar algum segredo ou tiver alguma exigência... Eu não sou egoísta nem irracional. Quando nos casarmos, o que for seu também será meu. Dentro do que eu puder, vou fazer o possível para ajudar você a resolver tudo, seja dinheiro ou qualquer outra coisa.

Janice esperou, atenta.

Mas o silêncio dele continuou, e ela perdeu de vez a coragem de prosseguir.

Pelo visto, a tia May não lhe contara muita coisa a seu respeito.

Por isso ele não conseguia aceitar a realidade.

O que ela devia fazer? Continuar tentando convencê-lo?

Janice ficou um pouco triste. Tinha baixado suas exigências ao mínimo; só queria um homem. Mesmo assim, ele não parecia disposto a se casar com ela.

Seu plano não daria certo.

— Eu sei que a minha proposta não é das melhores. Se você não consegue aceitar, esqueça. Desculpe incomodar.

Janice falou, abatida.

Se era assim, não havia o que fazer. Ela não gostava de forçar ninguém. Nada de bom vinha de obrigar as coisas.

Estava prestes a se levantar e ir embora.

— Janice Gladwell?

O homem falou de repente.

Janice parou e o encarou, atônita.

Os olhos escuros dele se estreitaram levemente, e um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.

— Você trouxe todos os seus documentos?

A voz baixa e agradável dele era inebriante. Janice ficou paralisada por um instante, depois assentiu.

— Trouxe.

— Vamos.

Ele se levantou com elegância, e sua figura alta a envolveu num instante.

...

Capítulo 3

Janice encarou o homem e engoliu em seco.

— É que...

Ele se virou e respondeu, numa voz calorosa:

— Christopher Bateman.

Christopher Bateman?

Janice percebeu que ele estava dizendo seu nome e se corrigiu na hora.

— Sr. Bateman, eu... não entendi muito bem...

Christopher a fitou, arqueou levemente as sobrancelhas e perguntou:

— Não vamos tirar nossa certidão de casamento? Precisamos ir agora. A repartição de registros civis vai fechar logo.

Por alguns segundos, a mente de Janice ficou vazia. Parecia inacreditável. Quando ele perguntara se ela tinha trazido seus documentos, ela achara que tinha entendido errado.

Mas ele realmente aceitara se casar com ela.

Tudo tinha mudado depressa demais, e ela não conseguia acompanhar.

— Você quer dizer que... concorda?

— Por que não?

Um sorriso misterioso apareceu no rosto de Christopher.

Janice ainda estava atordoada quando os dois saíram do restaurante Peony.

Ela ficou observando a figura alta que seguia à frente. Depois de algum tempo, finalmente voltou a si.

— Espere, por favor. Vou buscar o carro.

Naquele dia, ela dirigia a van da emissora.

Christopher assentiu e encarou Janice. Sentindo-se um pouco desconfortável, ela desviou o olhar e foi até o estacionamento.

Christopher acompanhou com os olhos a pequena figura que se afastava, apressada, e seus lábios se curvaram.

Assim que Janice saiu, Rob Hanson se aproximou. De longe, ele tinha visto Christopher caminhar ao lado de uma mulher, que lhe parecera familiar.

Quando chegou mais perto, lembrou-se de que era a moça que ajudara uma senhora na faixa de pedestres.

Havia uma fila de carros esperando o sinal naquele momento. Ainda assim, ela tinha arriscado a própria segurança para ajudar a senhora, que andava devagar, a chegar ao outro lado da rua. O carro deles tinha parado atrás do dela, e eles testemunharam tudo.

Não admira que o Sr. Bateman, que não gostava de se meter na vida dos outros, tivesse ajudado a resolver o problema dela com os agentes de trânsito. Então eles se conheciam.

Será que o Sr. Bateman tinha mudado a agenda por causa dela?

Rob estava cheio de dúvidas. Ele se aproximou e fez uma breve reverência.

— Sr. Bateman.

Christopher estreitou os olhos e perguntou, frio:

— Onde estão as coisas?

— Eu trouxe.

Só então Rob lhe entregou o que levava nas mãos. Quando recebera a mensagem do Sr. Bateman, mal acreditara que ele pedira que levasse seus documentos de identificação.

Mesmo assim, Rob estava curioso para saber o que o Sr. Bateman faria em seguida.

Christopher pegou os documentos e lançou a Rob um olhar indiferente.

— Vá embora. Não precisa me acompanhar.

Rob mal conseguia acreditar. Será que o sol tinha nascido no oeste? Por que, de repente, o Sr. Bateman não precisava mais que ele o acompanhasse?

Teria aquilo alguma relação com aquela jovem?

— Sr. Bateman, o Sr. Allson já sabe que o senhor voltou. Ele acabou de ligar para perguntar quando o senhor vai visitá-lo — Rob lembrou.

Os olhos de Christopher ficaram frios na mesma hora.

— Eu sei o que devo fazer.

Rob não se atreveu a dizer mais nada.

Janice parou o carro diante da entrada, onde Christopher a esperava.

Ele abriu a porta e se sentou no banco do passageiro.

Janice viu uma pasta em suas mãos e estranhou. Ela se lembrava de que, antes, ele não tinha nada além do celular.

Christopher percebeu seu olhar e explicou:

— Pedi para um amigo trazer. São meus documentos.

Janice entendeu. Afinal, ninguém carregava documentos o tempo todo, diferente dela, que estava pronta para se casar a qualquer momento.

Aquilo a deixou grata e, ao mesmo tempo, envergonhada pela disposição de Christopher em colaborar.

— Você acha que eu estou sendo apressada demais?

...

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